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Diários

Japão comemora derrota menor no acordo com os EUA

A sensação de celebração de uma derrota menor, por parte do Japão, poderá ser o tom de muitos acordos daqui para frente

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José Inácio Pilar
3 minutos de leitura 23.07.2025 10:14 comentários 2
Japão comemora derrota menor no acordo com os EUA
Imagem: The White House
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O Japão pode até ter evitado um desastre tarifário, mas está longe de poder celebrar uma vitória. O novo acordo comercial com os Estados Unidos anunciado ontem de noite reduziu tarifas de importação sobre veículos japoneses de 25% para 15%, o que animou brevemente os mercados — o índice Nikkei subiu 3,5% na quarta-feira, puxado por ações de montadoras como Toyota e Honda. Mas, na prática, Tóquio apenas conseguiu perder menos.

O governo japonês classifica a nova tarifa como a mais baixa já imposta pelos EUA a um país com superávit na balança comercial. De fato, o Japão escapou de tarifas de até 35% que Donald Trump ameaçava impor já em agosto.

Para isso, ofereceu um grande pacote: 550 bilhões de dólares em investimentos e financiamentos nos EUA, com 90% dos lucros ficam no país, além de aceitar flexibilizações técnicas que facilitam a entrada de veículos americanos e produtos agrícolas no mercado japonês.

O grande alívio veio no setor automotivo, pilar das exportações japonesas. Com a tarifa reduzida, o Japão garante algum nível de competitividade para seus veículos no mercado norte-americano, que responde por cerca de um terço das exportações de carros japoneses.

O acordo também afastou, ao menos por ora, a aplicação de tarifas adicionais sobre autopeças, equipamentos industriais e produtos eletrônicos.

Além disso, o Japão conquistou alguns ganhos regulatórios discretos. Os EUA aceitaram, em certos setores, reconhecer padrões técnicos e certificações japonesas — o que reduz custos para empresas exportadoras.

Também ficaram de fora do acordo sanções ao setor financeiro japonês e restrições mais duras à movimentação de capitais, que haviam sido cogitadas como retaliação.

Outro ponto positivo, ainda que em fase embrionária, é a promessa de acesso mais fácil a licitações públicas nos EUA, especialmente em infraestrutura. Empresas como Hitachi e Mitsubishi tem a expectativa de poder disputar contratos com menos entraves burocráticos, embora os detalhes e prazos e datas ainda estejam em discussão.

Por fim, Tóquio conseguiu preservar um canal direto de negociação com Washington, se posicionando como parceiro estratégico em um cenário global cada vez mais protecionista e agressivo.

Isso evita que o Japão caia na mira de futuras retaliações comerciais, como as que atingiram a China e a União Europeia e são prometidas para o Brasil.

E se o saldo para o Japão é modesto, os ganhos americanos são claramente maiores. Os EUA asseguraram um pacote robusto de mais de meio trilhão de dólares em investimentos e créditos japoneses, além de obter concessões regulatórias que facilitam a entrada de diferentes produtos americanos no mercado japonês.

Enquanto Tóquio apenas evitou tarifas punitivas e manteve o acesso que já possuía, Washington conquistou capital, abertura e impulso político para pressionar outros parceiros comerciais a ceder nas negociações que trava.

A sensação de celebração de uma derrota menor, por parte do Japão, poderá ser o tom de muitos acordos daqui para frente.

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José Inácio Pilar

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Comentários (2)

Eliane ☆

2025-07-23 15:40:22

Que saudade do Japão. Do "tédio "do Japão...


F-35- Hellfire

2025-07-23 14:18:41

O pessoal do Japão pensa diferente do pessoal petista do Brasil...


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Eliane ☆

2025-07-23 15:40:22

Que saudade do Japão. Do "tédio "do Japão...


F-35- Hellfire

2025-07-23 14:18:41

O pessoal do Japão pensa diferente do pessoal petista do Brasil...



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