Antonio Augusto/Secom/PGR

Itamaraty ignora MPF em defesa da Lava Jato na ONU e gera mal-estar

07.03.21 16:19

Em dezembro do ano passado, o Itamaraty encaminhou ao Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos uma carta em defesa da operação E$quema S, que investigou desvios na Fecomércio do Rio. A operação havia sido questionada pelo relator especial das Nações Unidas para a independência de juízes e advogados, Diego García-Sayán. O documento, porém, levou à instância internacional somente a posição da Polícia Federal e do Conselho Nacional de Justiça, sem mencionar um extenso parecer encaminhado pela força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro à Procuradoria-Geral da República, criando um mal estar com os procuradores.

Como não viram seu posicionamento refletido no documento enviado à ONU, integrantes da força-tarefa questionaram a PGR, que, por sua vez, disse que encaminhou os documentos ao Itamaraty. O imbróglio caiu no colo do subprocurador Hindemburgo Chateaubriand Filho (foto), secretário de cooperação internacional do MPF, que questionou o MRE por diversas vezes sobre o envio dos papéis, sem receber uma resposta. No final de fevereiro, o procurador perdeu a paciência e, ele próprio, enviou a carta à ONU com os documentos da operação E$quema S.

“A Unidade de Cooperação Internacional da PGR enviou à chancelaria, em 1º de dezembro, documentos pelos quais a força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro provê as informações solicitadas e o material necessário para que o estado brasileiro comentasse sobre o caso submetido ao relator especial”, escreve Chateaubriand, em carta ao próprio relator. “No entanto, não houve confirmação do Ministério das Relações Exteriores sobre o envio dos documentos à ONU, apesar dos repetidos pedidos de informação nesse sentido”, acrescenta.

Procurado, o Ministério das Relações Exteriores não comentou o bate-cabeça com a PGR. Indagada por meio da Lei de Acesso à Informação, a pasta informou que “os documentos enviados ao MRE pela Procuradoria-Geral da República foram classificados como sigilosos pela PGR”.

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  1. Depois da falsa promessa de fortalecer a lava jato e o combater à corrupção sob as ordens de Sérgio Moro, vemos hj q JB era uma falácia. Um ser q só pensa em poder e se alia aos piores corruptos e genocidas.MORO22

  2. Só quem acha que não é política a operação é aquela pessoa desinformada, que acha que tudo é uma partida de futebol. São torcedores, que querem que o seu time ganhe a qualquer custo, não importa se o gol foi de mão. Afinal, meu time estava jogando "melhor" e, por isso, mereceu ganhar. Infelizmente vivemos em um país que não é sério. O rigor da lei deve sempre valer para o adversário.

  3. Quando ouço um cretino se referindo a Lava Jato, como uma operação política, tenho vontade de socá-lo. Veja o que aconteceu com a Lava Jato, em virtude da pandemia. Foi só o povo não poder ir para às ruas, para o Bolsonaro matar a Lava Jato. Desde do começo, acertadamente, a operação se sustentou na população e na imprensa. E Bolsonaro agora, militarizando o poder, desnuda a verticalização da ordem, contra uma possível ação horizontalizada da população. Vamos ter que saber jogar o jogo.

  4. Mais uma vez, o mesmo desleixado titular do MRE, Ernesto Araújo, levando ao vivo um carão do seu colega de Israel, que o mandou colocar máscara para os devidos cumprimentos protocolares... esquecido de que não estava na casa da mãe joana!

    1. É porque na casa da mãe joana se toca e ouve o 'samba do Arnesto'.

    2. Arnesto é o pior chanceler que o Brasil já teve. Triste resultado para um país que sempre formou diplomatas de alta qualidade!

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