Estatais federais têm rombo de R$ 5,1 bilhões em 2025, segundo pior da história
Os Correios, estatal que tem acumulado prejuízo ano após ano desde 2022, contribuíram para o resultado ruim de 2025
As empresas estatais federais acumularam um déficit de 5,1 bilhões de reais em 2025, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta sexta-feira, 30. É segundo pior resultado para um ano na série histórica, iniciada em 2006, quando o cálculo parou de considerar empresas dos grupos Petrobras e Eletrobras.
O recorde ainda pertence a 2024, segundo ano do governo Lula (PT), quando ocorreu um déficit de 6,7 bilhões de reais. O último superávit (4,7 bilhões de reais) foi em 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro (PL).
Em dezembro de 2025, as estatais federais acumularam superávit de 1,1 bilhão de reais, o que amenizou o resultado do ano. No mês passado, Crusoé mostrou que, no período de janeiro a novembro de 2025, as empresas tiveram um rombo recorde de 6,3 bilhões de reais.
Os Correios contribuíram para o resultado ruim do último ano. A estatal tem acumulado prejuízo ano após ano desde 2022.
A empresa vive um momento delicado em meio a uma de suas maiores crises financeiras. Em pleno ano eleitoral, os Correios já iniciaram articulações para levantar 8 bilhões de reais adicionais até julho e viabilizar plano de reestruturação. A ideia é obter os recursos por meio de um novo empréstimo ou de um aporte direto da União.
A empresa calcula que os R$ 12 bilhões contratados no fim de 2025 com cinco bancos — entre eles Banco do Brasil e Caixa — sustentam o caixa apenas até meados deste ano.
A solução precisaria ser rápida para evitar um aperto no caixa durante a campanha, o que daria munição para adversários do governo Lula.
O plano de reestruturação prevê um custo total de 20 bilhões de reais, destinados à regularização de dívidas, ao financiamento de ajustes internos — como mudanças no plano de saúde e incentivos ao PDV — e à manutenção das obrigações correntes.
Do empréstimo já fechado, 10 bilhões de reais entraram no caixa em 2025, e outros R$ 2 bilhões devem ser repassados até o fim de janeiro.
Em dezembro, o presidente da estatal, Emmanoel Rondon, afirmou publicamente que a empresa ainda precisaria de 8 bilhões de reais para honrar seus compromissos.
Desde então, os Correios passaram a sondar instituições financeiras sobre uma nova operação, sem descartar o aporte já sinalizado pelo Ministério da Fazenda.
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