Eduardo recebe uma mensagem de apoio vinda da Hungria
Ex-premiê húngaro Viktor Orbán presta solidariedade ao ex-deputado após condenação
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) recebeu uma mensagem de solidariedade do ex-primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, nesta quarta-feira, 17.
O apoio surge após o ex-parlamentar brasileiro ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por coação.
"A frase contra Eduardo Bolsonaro é ultrajante! Nós estamos com você, Eduardo!", escreveu Orbán no X.
Em resposta, Eduardo afirmou que o ex-premiê e o povo da Hungria "sabem como a perseguição funciona".
"Isso não é algo novo e todos sabemos que, resistindo, venceremos."
Condenação de Eduardo
A acusação contra Eduardo gira em torno da articulação de pressões externas sobre o Judiciário brasileiro.
O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, afirmou durante o julgamento que “não é função de deputado federal brasileiro fazer lobby no exterior contra o próprio país”.
Para a maioria dos ministros, o crime de coação — que exige a comprovação de grave ameaça — se materializou na obtenção de sanções do governo Donald Trump contra o Brasil, como tarifas comerciais, suspensão de vistos a autoridades brasileiras e a aplicação da Lei Magnitsky ao próprio Moraes. O relator foi acompanhado pelos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.
A derrocada de Orbán
Orbán é um antigo aliado de Eduardo Bolsonaro e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Mas o então premiê foi derrotado em abril por Péter Magyar e deixou o poder após 16 anos.
Na Hungria, Orbán adotava um discurso nacionalista e, ao mesmo tempo, privilegiava figuras amigas.
Democracia "iliberal"
A derrocada de Orbán começou em 2011, com o aparelhamento das instituições.
Naquele ano, o Fidesz redigiu uma nova Constituição em sigilo, aprovada apenas com votos da base governista e sancionada por um presidente indicado pelo próprio partido.
Não houve participação da sociedade civil nem da oposição.
Em paralelo, o sistema de escolha de juízes constitucionais foi alterado, passando a exigir apenas uma maioria qualificada do Parlamento, isto é, sem necessidade de consenso multipartidário.
O número de magistrados foi ampliado de 11 para 15, permitindo a ocupação do tribunal por aliados.
Ao mesmo tempo, Obrán promoveu aposentadorias compulsórias antecipadas de juízes, abrindo espaço para novas nomeações alinhadas ao governo.
Mandatos longos em cargos decisórios passaram a funcionar como mecanismo de blindagem institucional, uma forma de “amarrar” futuros governos.
A chamada Quarta Emenda constitucional retirou do tribunal o poder de revisar mudanças na própria Constituição. Na prática, qualquer decisão judicial contrária poderia ser contornada com sua simples transformação em emenda constitucional.
O modelo de poder consolidado por Orbán avançou para além dos limites institucionais.
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