Crusoé n° 406: STF no paredão
Congresso e sociedade pressionam por código de ética e investigações de ministros. E mais: Não vai ter picanha e As cicatrizes do Helicoide
Há quase vinte anos, em 22 de abril de 2009, o então ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa e o atual decano da Corte, Gilmar Mendes, protagonizaram um dos maiores bate-bocas no plenário do Tribunal.
Durante o julgamento de uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) ajuizada pelo estado do Paraná, Joaquim Barbosa tentou reabrir um julgamento do qual não participara. Um debate nada republicano começou em seguida entre os dois.
“Vossa Excelência não tem condições de dar lição a ninguém”, disse Mendes a Barbosa.
“Nem Vossa Excelência. Vossa Excelência me respeite. Vossa Excelência não tem condição alguma. Vossa Excelência está destruindo a Justiça deste país e vem agora dar lição de moral em mim? Saia à rua, ministro Gilmar. Saia à rua, faça o que eu faço”, retrucou Barbosa.
O tempo passou e a Corte ficou ainda mais apartada da sociedade. Os ministros hoje não conseguem sair às ruas, mesmo se quiserem.
O fato é que, após a promulgação da Constituição de 1988, nunca houve um momento tão propício para impeachment de um ministro STF, diz Wilson Lima em "STF no paredão", a reportagem de capa de Crusoé.
Outros destaques de Crusoé
Na matéria "Não vai ter picanha", Guilherme Resck mostra que o governo Lula já definiu as pautas que considera prioritárias no Congresso em 2026. A lista inclui propostas populistas, como o fim da escala de seis dias de trabalho por um dia de descanso no país e a implementação de tarifa zero no transporte público.
Mas a tendência é que elas não prosperem.
Em "As cicatrizes do Helicoide", João Pedro Farah conta que o encerramento do Helicoide, maior centro de tortura e sede do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) na Venezuela, não apaga as cicatrizes de quem foi submetido às piores condições humanas possíveis.
Crusoé traz relatos de vítimas do regime que usava a prisão política como instrumento de terror.
Colunistas
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Nesta edição, escrevem Dennys Xavier (O eclipse da liberdade), Josias Teófilo (Theatro Municipal apresenta: Projeto Oruam Sinfônico), Roberto Reis (Até tu, Flávio?), Izabela Patriota (Trump não vai salvar a Venezuela), Márcio Coimbra (O "Custo Rússia" para o Brasil), Clarita Maia (Violência política contra judeus e silêncio institucional), Rafael Facure Moredo (Brasil precisa evitar “Efeito Bruxelas”) e Rodolfo Borges (O técnico e o monstro).
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