Capitã da seleção feminina do Irã desiste de asilo após ameaças à família
Zahra Ghanbari retornará ao país após familiares serem ameaçados; Protesto no hino durante a Copa Asiática desencadeou crise
Zahra Ghanbari (foto), capitã da seleção feminina de futebol do Irã, retirou seu pedido de asilo na Austrália e retornará ao seu país neste domingo, 15.
A jogadora, maior artilheira da história da seleção, viajará da Malásia até Teerã.
Ela havia solicitado asilo ao governo australiano na última semana, mas voltou atrás após a mãe receber ameaças de agências de seguranças iranianas.
Além de Zahra, outras três atletas e uma integrante da comissão técnica também desistiram do pedido de asilo.
Um relatório indicou que uma membro da equipe técnica teria repassado mensagens ameaçadoras de diretos da federação iraniana para as jogadoras.
Uma das atletas teria sido pressionada a retornar após ouvir mensagens de voz emocionadas enviadas por familiares no Irã.
Hino nacional
A crise diplomática teve início após vários jogadoras ficarem em silêncio durante a execução do hino nacional na partida de abertura da Copa Asiática feminina.
O gesto foi interpretado pelas autoridades iranianas como um ato de traição, e algumas atletas passaram a ser classificadas como “traidoras de guerra”.
A atitude foi um protesto contra a repressão do regime iraniano.
Com medo de serem presas ou mortas, sete integrantes da delegação pediram asilo na Austrália.
O governo australiano concedeu vistos humanitários às atletas e as transferiu para locais seguros.
“Embora o governo australiano possa garantir que as oportunidades existam e sejam comunicadas, não podemos ignorar o contexto em que essas mulheres estão fazendo escolhas incrivelmente difíceis”, afirmou o ministro do Interior, Tony Burke, em um comunicado.
A Federação Iraniana de Futebol, no entanto, acusou a Austrália de ter "sequestrado" as jogadoras.
Fora da Copa
Já a seleção masculina do Irã anunciou que não participará da próxima edição da Copa do Mundo.
O torneio terá início em junho com partidas realizadas nos Estados Unidos, México e Canadá.
Nos últimos dias, o presidente da Federação de Futebol da República Islâmica do Irã, Mehdi Taj, já havia colocado em dúvida a participação da seleção iraniana no torneio.
"Se durante a Copa do Mundo estiver assim, quem em sã consciência enviara sua seleção para um lugar desses", afirmou.
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