Caiado promete anistia para acabar com polarização. Vai colar?
Ex-governador de Goiás que promete ser a terceira via nesta eleição fez seu primeiro discurso como pré-candidato do PSD
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (na foto, à direita), anunciou nesta segunda, 30, que será o pré-candidato a presidente da República pelo PSD.
A promessa de Caiado é ser uma "via independente", oferecendo um caminho distinto da polarização entre Flávio Bolsonaro e Lula.
"O PSD teve a independência de indicar o meu nome. Não tem nada a ver com terceira vida. Eu sou via independência total, plena e irrestrita", disse.
Para acabar com a polarização, Caiado prometeu, em seu primeiro ato de governo caso seja eleito, dar anistia geral e irrestrita.
"A polarização não é um traço da política nacional. A polarização é sustentada por um projeto político, por aqueles que realmente se beneficiam dela. Pode ser desativada? Sim, pode. Por alguém que não é parte dela. Ou seja, [parte] da polarização. E é o que pretendo fazer, chegando à Presidência. Meu primeiro ato vai ser exatamente: anistia ampla, geral e irrestrita", disse Caiado.
"[Estarei] replicando aquilo que Juscelino Kubitschek soube fazer com muita maestria a todos aqueles que rebelaram em uma verdadeira tentativa de golpe, pela Aeronáutica, quando ele disse: 'Me deixem trabalhar e vamos realmente pacificar o Brasil'. Eu vim com esse objetivo, de realmente pacificar o Brasil. Ao anistiar outros, inclusive o ex-presidente, eu estarei dando uma amostra de que, a partir dali, eu vou cuidar das pessoas. É aquilo que, como médico e cirurgião, é minha formação e sempre soube fazer. Faço e continuo fazendo na política. Ou seja, apenas o paciente mudou. A prática é a mesma."
Acontece que anistia é uma bandeira do bolsonarismo.
É o bolsonarismo que pede uma anistia para os condenados na trama golpista de 2022 e na invasão das sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023.
Caiado, assim, parece ser mais uma linha auxiliar do bolsonarismo, tentando vestir a máscara da antipolarização, do que uma terceira via autêntica.
Ratinho Jr.
Ainda nesta segunda, o governador do Paraná, Ratinho Jr. comentou nas redes sociais a escolha de Ronaldo Caiado para ser o candidato presidencial do PSD.
"O PSD deu um exemplo do seu compromisso com a democracia ao promover um debate equilibrado para escolher o candidato que disputará as eleições presidenciais deste ano", escreveu Ratinho Jr.
Ora, não houve qualquer democracia na escolha de Caiado nesse processo.
Nem debate equilibrado.
Quem escolheu o candidato do partido foi seu presidente, Gilberto Kassab, orientado por pesquisas eleitorais. É essa a regra no Brasil, com raras exceções.
Os candidatos das siglas são escolhidos pela cúpula partidária, às vezes por uma única pessoa.
Jair Bolsonaro escolheu seu filho Bolsonaro.
Lula escolheu a si próprio — e contra ele não existe a mínima resistência dentro do PT.
Quem tem o poder decide, como no coronelismo político brasileiro. Quem não tem poder, obedece.
Nesta segunda, 30, Caiado explicou como aconteceu a escolha do seu nome: "A decisão vai ser por um colegiado com esse pessoal. O partido vai indicar um nome. Vocês aceitam? Ótimo. Acabou".
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