Argentina classifica a Guarda Revolucionária do Irã como terrorista
Decisão cita apoio ao Hezbollah, grupo apontado como responsável pelo ataque à AMIA, em Buenos Aires
A Argentina classificou a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês) como organização terrorista.
A medida atende a um pedido feito pelos Estados Unidos, que vêm incentivando seus aliados a adotar a mesma designação em relação à IRGC e também ao grupo libanês Hezbollah.
Segundo o governo argentino, a Guarda fornece apoio ao Hezbollah, grupo que as autoridades do país responsabilizam pelo atentado de 1994 contra a sede da AMIA (Associação Mutual Israelita Argentina), em Buenos Aires.
Na ocasião, o ataque deixou 85 mortos.
Com a nova classificação, o gabinete presidencial afirmou que a medida permite a adoção de sanções financeiras e outras restrições operacionais contra a organização.
A Guarda Revolucionária é uma força militar ligada ao regime iraniano, responsável tanto pela defesa interna quanto por operações no exterior.
Dias antes, o governo da Argentina também classificou o cartel mexicano Jalisco Nova Geração (CJNG) como uma “organização terrorista”.
E o Brasil?
No Brasil, os dois grupos não são oficialmente designados como terroristas.
O país, em geral, segue listas de sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) e trata casos de terrorismo com base em investigações e decisões específicas.
Ainda assim, autoridades brasileiras já investigaram a atuação de redes ligadas ao Hezbollah na região da Tríplice Fronteira — entre Brasil, Argentina e Paraguai — além de registros em cidades como São Paulo e Curitiba.
Em 2018, Joseph Humire afirmou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) teria “ligações comprovadas” com o grupo libanês.
Onze integrantes do PCC foram incluídos em listas de sanções do Tesouro americano sob acusação de fornecer apoio ao Hezbollah.
Além da lavagem de dinheiro, essas conexões envolveriam, segundo autoridades americanas, compartilhamento de operações, táticas, treinamento e inteligência.
Crusoé procurou o Itamaraty para saber se os Estados Unidos já solicitaram oficialmente a designação, mas ainda não obteve resposta.
Leia também: EUA cobram designação global de Hezbollah e IRGC como terroristas
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