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Ambientalistas contestam fala de Bolsonaro na ONU: ‘Afirmações delirantes’

21.09.21 14:55

Ambientalistas criticaram duramente as informações divulgadas pelo presidente Jair Bolsonaro sobre o meio ambiente em seu discurso na Assembleia Geral da ONU em Nova York nesta terça, 21.

Bolsonaro afirmou, por exemplo, que, na Amazônia, “tivemos uma redução de 32% do desmatamento no mês de agosto, quando comparado a agosto do ano anterior“.

O número usado pelo presidente foi retirado do programa Deter, sistema de alerta das áreas de desmatamento mantido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe. Porém, o Deter apenas localiza áreas com alteração de vegetação. Em agosto e em setembro, em geral, queima-se aquilo que já foi desmatado anteriormente, para abrir espaço para as culturas, como a soja e a pecuária. A área que foi de fato desmatada é calculada por outro programa, o Prodes, também do Inpe, que é divulgado uma vez ao ano, geralmente em novembro.

Os dados anuais do Prodes já publicados mostram que, nos cinco anos anteriores ao governo Bolsonaro, a média de desmatamento na Amazônia foi de 6,7 mil quilômetros quadrados. Nos primeiros dois anos da atual gestão, a média foi de 10,5 mil quilômetros quadrados, um aumento de 56%. Os dados de 2021 serão divulgados apenas no fim do ano. Segundo a ONG Observatório do Clima, os números devem ficar novamente em torno de 10 mil quilômetros quadrados.

Bolsonaro deve saber a diferença entre o Deter e o Prodes, mas ele usa os números para agradar a própria claque. Ele selecionou apenas o dado de agosto do Deter, mas se ele tivesse considerado o ano todo, de janeiro até agora, teria percebido que não teve diminuição nos alertas de desmatamento em relação ao ano anterior“, diz Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.

O engenheiro florestal Mauro Armelin, diretor da ONG Amigos da Terra, também considera que a situação não melhorou. “O desmatamento não tem dado sinais de que está sendo reduzido e isso, provavelmente, será comprovado com os dados do Prodes, a serem divulgados nos próximos meses”, diz Armelin.

Em sua tentativa de exibir um cenário favorável, Bolsonaro afirmou ainda que “os recursos humanos e financeiros destinados ao fortalecimento dos órgãos ambientais foram dobrados, com vistas a zerar o desmatamento ilegal“.

Ocorre que, no governo atual, as multas do Ibama caíram para o nível mais baixo em duas décadas e as operações de campo minguaram. Em relação aos alegados “recursos humanos” que, segundo o presidente, teriam sido “dobrados”, o Observatório do Clima afirma que o concurso público feito para os órgãos de fiscalização do meio ambiente, anunciado após três anos de pressão internacional, concentra 73% das vagas em técnicos de nível médio, que por lei não podem fiscalizar. O Ibama receberá apenas 96 analistas com curso superior, o que preenche 10% das suas necessidades.

Foi um discurso cheio de mentiras, incluindo algumas afirmações delirantes. Mas o mundo sabe o que esta acontecendo no Brasil, particularmente em relação a política ambiental, climática e da Amazônia“, diz Eduardo Viola, professor de relações internacionais da Universidade de Brasília e especialista em meio ambiente.

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  1. Discurso coerente foi da esquerdopata Dilma "estocar vento," parece que a amnésia dos esquerdistas é providencial, os ambientalistas esqueceram do lixo tóxico despejado pela mineradora norueguesa, foi em qual governo? O discurso hipócrita amazônia pulmão do mundo está vindo a tona. Acorda Brasil.

  2. Bha. que gente mau amada. Acabou a teta da imprensa e das ONGs. Se preocupam até com o peido do presidente. vão rachar uma lenha

    1. Verdade. As mulheres dos bozistas são todas bem amadas. Pelos bombeiros em prontidão. Bozistas adoram rachar lenha…com os cornos.

    1. Nós queríamos um nome novo para tirar um corrupto do Planalto. Colocamos lá um psicopata, que, além de tudo, trouxe o corrupto de volta.

    1. Muita vergonha nos fez passar e é ridicularizado no mundo todo ao criticar o passaporte da vacina aceito por todos e que nos dará a chance de entrar aonde quisermos

    2. No mínimo, que se ativesse aos fatos, sem distorcer ou mentir. Ocorre que a falta de competência foi tão gritante não só na área ambiental como em inúmeras outras que nada há de positivo para relatar. Só pode recorrer mesmo a delírios.

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