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Diários

A última reunião dos militares nos estertores do governo Bolsonaro

Ex-comandante da Força Aérea Brasileira, Carlos Baptista Júnior, conta em livro os encontros após vitória eleitoral de Lula

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Duda Teixeira
3 minutos de leitura 21.08.2026 17:18 comentários 1
A última reunião dos militares nos estertores do governo Bolsonaro
Carlos Baptista Júnior com o presidente Jair Bolsonaro. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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O ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), Carlos Baptista Júnior (foto), lançará em setembro o livro Eu disse não: uma trincheira antigolpista (Autêntica).

Na obra, ele fala da dificuldade do então presidente Jair Bolsonaro em aceitar o resultado das eleições de 2022, que deram vitória a Lula.

Conta também das reuniões com os militares, em que Bolsonaro buscava alguma alternativa para não entregar o poder.

Na obra, Baptista reclama da quantidade de reuniões que participou com outros comandantes militares.

"O assunto 'eleições' tomou conta de grande parte da agenda da Defesa. Para se ter uma ideia clara do impacto disso, tenho registradas 12 reuniões oficiais do nosso colegiado — composto pelos três comandantes de Força e pelo ministro [da Defesa] Paulo Sérgio [Nogueira de Oliveira] — apenas no período de 3 de outubro a 14 de dezembro. Essa prioridade absoluta dada a um tema que deveria ser alheio à caserna nos privou da disponibilidade necessária para as reais atribuições do comando", escreve Baptista Júnior.

Nessas reuniões, Baptista disse a Bolsonaro que, "independentemente do que acontecesse dali em diante, ele não permaneceria no cargo após 1º de janeiro de 2023".

Última reunião

Além dos encontros com o então presidente Bolsonaro, Baptista também cita uma reunião no Palácio do Alvorada apenas entre militares, no dia 14 de dezembro de 2022.

Foi a última vez que ele esteve no Alvorada.

Paulo Sérgio, ministro da Defesa, sentou-se na cabeceira da mesa. Os comandantes militares se acomodaram nas outras cadeiras.

"À frente de Paulo Sérgio, havia apenas uma pasta plástica para documentos. (...) Paulo Sérgio disse que havia ali uma minuta de documento — creio que mencionou se tratar de uma decretação de estado de sítio, algo posteriormente confirmado por Freire Gomes [comandante do Exército] como estado de defesa, em seu depoimento à Polícia Federal — que gostaria de apresentar aos comandantes", diz o livro.

"Naquele instante, tive a percepção de que já havíamos ultrapassado todos os limites aceitáveis", escreve Baptista Júnior.

Ele então perguntou: "Esse documento prevê a não assunção do cargo pelo novo presidente eleito?".

Baptista Júnior não sabe se a resposta foi "sim" ou apenas silêncio.

E afirmou: "Não aceito sequer receber esse documento. A FAB não participará disso".

Ele levantou-se e saiu da sala.

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Duda Teixeira

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (1)

Aldo

2026-08-22 18:57:09

Que Jair Bolsonaro e seu entorno mais próximo pensou em algum tipo de golpe acho que há poucas dúvidas, mas chamar o badernaço de 08/01/2023 de golpe é uma grande distância. Nínguém apresentou-se para tomar o poder, agir contra às autoridades então no poder. Os tolos fizeram o quebra quebra e foram embora.


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Aldo

2026-08-22 18:57:09

Que Jair Bolsonaro e seu entorno mais próximo pensou em algum tipo de golpe acho que há poucas dúvidas, mas chamar o badernaço de 08/01/2023 de golpe é uma grande distância. Nínguém apresentou-se para tomar o poder, agir contra às autoridades então no poder. Os tolos fizeram o quebra quebra e foram embora.



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