Crusoé
21.03.2026 Fazer Login Assinar
Crusoé
Crusoé
Fazer Login
  • Acervo
  • Edição diária
Edição Semanal
Pesquisar
crusoe

X

  • Olá! Fazer login
Pesquisar
  • Acervo
  • Edição diária
  • Edição Semanal
  • Entrevistas
  • O Caminho do Dinheiro
  • Ilha de Cultura
  • Leitura de Jogo
  • Crônica
  • Colunistas
  • Assine já
    • Princípios editoriais
    • Central de ajuda ao assinante
    • Política de privacidade
    • Termos de uso
    • Política de Cookies
    • Código de conduta
    • Política de compliance
    • Baixe o APP Crusoé
E siga a Crusoé nas redes
Facebook Twitter Instagram
Diários

A intolerância identitária contra Claudia Leitte

É desgarrador que o Ministério Público seja instrumentalizado por grupos identitários, em total desprezo a um dos direitos mais fundamentais para o funcionamento da democracia

avatar
Duda Teixeira
5 minutos de leitura 20.12.2024 11:12 comentários 3
A intolerância identitária contra Claudia Leitte
Claudia Leitte. Reprodução/redes sociais
  • Whastapp
  • Facebook
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

A cantora Claudia Leitte (foto) acaba de se tornar a última vítima do cancelamento feito por grupos identitários no Brasil.

A ONG Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (Idafro) e a ialorixá Jaciara Ribeiro a acusam de intolerância religiosa e racismo.

Pior: o Ministério Público da Bahia instaurou inquérito civil para apurar a denúncia.

O pecado de Claudia Leitte teria sido substituir a palavra Iemenjá na música Caranguejo por Yeshua, uma referência a Jesus Cristo (Claudia é evangélica desde 2014).

O trecho "Maré tá cheia/Espera esvaziar/Joga flores no mar/Saudando a rainha Iemanjá" ficou com o final: "Só louvo meu rei Yeshua".

Liberdade de expressão

A acusação não tem qualquer fundamento.

Não mencionar Iemanjá em uma letra não é a mesma coisa que atacar ou menosprezar a orixá ou seus seguidores.

A troca de palavras na letra está inteiramente dentro dos limites da liberdade de expressão.

Cabe a Claudia Leitte e os autores da música Caranguejo — Alan Moraes, Durval Luz, Ninho Balla e Luciano Pinto — se entenderem quanto a isso.

São eles os criadores da obra de arte.

Todos os demais podem ouvir a música, se quiserem. Caso não gostem, é só escutar outra coisa.

Se o bem e o bem existem

O identitarismo não vê as coisas desse jeito.

Para os seus adeptos, a liberdade de expressão deve ser condicionada às cartilhas das minorias que eles dizem representar.

Ressalto o "dizem representar", porque muitos dos fiéis das religiões afro-brasileiras não dão a mínima para Claudia Leitte ter trocado Iemenjá por Yeshua.

E nem sequer as religiões afro-brasileirais formam um bloco coeso ou uma estrutura hierárquica, como tem a Igreja Católica.

Há pouca relação entre os tais representantes e a população que professa essas religiões.

Além do mais, as mudanças nas letras têm impacto mínimo na vida das pessoas.

Quando Roberto Carlos trocou a letra "se o bem e o mal existem, você pode escolher" por "se o bem e bem existem, você pode escolher", ninguém o deixou de ouvir por causa disso.

Quando dançam axé, aliás, os foliões mal sabem o que estão cantando.

Cancelamento

A base do identitarismo, no entanto, é explorar a complacência de jornalistas bem-intencionados, de secretários de prefeituras, de promotores do Ministério Público e de ministros para gerar notícias, constranger pessoas públicas e ganhar influência.

Ao demonstrar capacidade de cancelar qualquer um, eles ganham benefícios diversos: verbas públicas, cargos em conselhos, patrocínios privados e o direcionamento de portarias ministeriais.

Chantagem

Para entender o funcionamento desse mecanismo, basta ler uma das mensagens dos advogados da rede social Twitter, que foram expostas em abril deste ano.

Em um email datado de 14 de junho de 2021, o advogado do Twitter Rafael Batista avisou seus colegas da empresa que ele tinha recebido um "aviso de reclamação", que depois tinha se transformado em uma investigação civil contra o Twitter.

Batista afirmava que "a vítima", no caso, a autora Djamila Ribeiro, tinha solicitado que a empresa realizasse um Acordo de Ajuste de Conduta, implantando medidas para inibir o discurso de ódio no Twitter.

Segundo o advogado da empresa, a companhia seria ouvida sobre as políticas e práticas implementadas para evitar o discurso de ódio.

"Apesar de a reclamação ser legítima, os pedidos são irracionais e nós não temos nenhuma obrigação de implementar essas medidas. Entretanto, nós ainda pensamos que é muito sensível sob a perspectiva reputacional dependendo de como a questão é abordada externamente, então nós estamos trabalhando para resolver isso ("to close with Comms and PP", no original)", escreve Batista.

O Twitter, sob pressão, estava preocupado com uma crise de imagem e queria resolver o assunto. “A denúncia foi apresentada por Djamila Ribeiro, filósofa e jornalista brasileira após ofensas racistas/crimes de ódio dirigidas a ela (embora nenhum conteúdo específico tenha sido fornecido)", escreveu o advogado.

Entre os vários pedidos de Djamila ao Twitter, estava a de "pagamento de danos morais coletivos".

Censura

Não há como ceder ao cancelamento identitário sem comprometer o direito de todos à liberdade de expressão.

Sim, porque os guerreiros identitários de gabinete, além de perseguirem seus próprios interesses, entendem que têm autoridade e legitimidade para dizer o que os brasileiros podem ou não cantar em uma simples letra de música.

É desgarrador que o Ministério Público seja instrumentalizado por grupos identitários, em total desprezo a um dos direitos mais fundamentais para o funcionamento da democracia.

Diários

O desserviço de Érika Hilton para a causa trans

Duda Teixeira Visualizar

Crusoé nº 412: Os donos da bola

Redação Crusoé Visualizar

Kataguiri apresenta PL para acabar com indenização "simbólica" por dano moral

Guilherme Resck Visualizar

Efeito Tayayá: reprovação a Toffoli pula para 81%

Redação Crusoé Visualizar

Não é sobre Bolsonaro. É sobre quem julga

Maristela Basso Visualizar

Gustavo Petro é investigado nos EUA

Redação Crusoé Visualizar

Mais Lidas

79% querem que Lula declare PCC e CV como terroristas

79% querem que Lula declare PCC e CV como terroristas

Visualizar notícia
A Corte Interamericana enfrenta o perigo das reeleições

A Corte Interamericana enfrenta o perigo das reeleições

Visualizar notícia
A lógica da zebra

A lógica da zebra

Visualizar notícia
De faccionados para terroristas

De faccionados para terroristas

Visualizar notícia
Disparada do petróleo já afeta empresas no Brasil

Disparada do petróleo já afeta empresas no Brasil

Visualizar notícia
Efeito Tayayá: reprovação a Toffoli pula para 81%

Efeito Tayayá: reprovação a Toffoli pula para 81%

Visualizar notícia
Felca defende a Lei Felca (mais ou menos)

Felca defende a Lei Felca (mais ou menos)

Visualizar notícia
Final melancólico

Final melancólico

Visualizar notícia
Kataguiri apresenta PL para acabar com indenização "simbólica" por dano moral

Kataguiri apresenta PL para acabar com indenização "simbólica" por dano moral

Visualizar notícia
Lula ainda tenta empurrar Alckmin para o Senado

Lula ainda tenta empurrar Alckmin para o Senado

Visualizar notícia

Tags relacionadas

Claudia Leitte

identitarismo

intolerância religiosa

racismo

woke

< Notícia Anterior

"Mercado clama por reviravolta fiscal", diz The Economist

19.12.2024 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
Próxima notícia >

Operação Lava-BNDES consumiu 52 milhões de reais este ano

20.12.2024 00:00 | 4 minutos de leitura
Visualizar
author

Duda Teixeira

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (3)

Maraci Rubin

2024-12-21 19:05:41

Vão enxugar gelo!


Francisco fontenele tahim

2024-12-21 06:12:30

Minorias: coisa de idiotas, revoltados consigo e com todos. E maioria de esquerda. Onde se viu minoria mandar em maioriaa? Vão trabalhar, vagabunfos, idiotas.


Marcio de LIma Coimbra

2024-12-20 19:17:34

Há uma clara assimetria com relação às ditas minorias. Por razões que não vêm ao caso, é público e notório que tais minorias são vistas como fracas e oprimidas. Daí a tendência natural para pender a simpatia popular para as suas searas. Infelizmente, tais minorias não querem apenas serem respeitadas, coexistirem pacíficamente. Ao contrário. Querem por que querem impor seus credos e costumes que, por razões sobre as quais não me cabem ilações, tem calorosa acolhida nos meios de comunicação. O fato é que parte do problema, creio eu, é o ar condescendente que as maiorias tratam o assunto. Se sentem desprezados e tocam a tocar o bumbo. Que saco!


Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (3)

Maraci Rubin

2024-12-21 19:05:41

Vão enxugar gelo!


Francisco fontenele tahim

2024-12-21 06:12:30

Minorias: coisa de idiotas, revoltados consigo e com todos. E maioria de esquerda. Onde se viu minoria mandar em maioriaa? Vão trabalhar, vagabunfos, idiotas.


Marcio de LIma Coimbra

2024-12-20 19:17:34

Há uma clara assimetria com relação às ditas minorias. Por razões que não vêm ao caso, é público e notório que tais minorias são vistas como fracas e oprimidas. Daí a tendência natural para pender a simpatia popular para as suas searas. Infelizmente, tais minorias não querem apenas serem respeitadas, coexistirem pacíficamente. Ao contrário. Querem por que querem impor seus credos e costumes que, por razões sobre as quais não me cabem ilações, tem calorosa acolhida nos meios de comunicação. O fato é que parte do problema, creio eu, é o ar condescendente que as maiorias tratam o assunto. Se sentem desprezados e tocam a tocar o bumbo. Que saco!



Notícias relacionadas

O desserviço de Érika Hilton para a causa trans

O desserviço de Érika Hilton para a causa trans

Duda Teixeira
21.03.2026 07:42 3 minutos de leitura
Visualizar notícia
Crusoé nº 412: Os donos da bola

Crusoé nº 412: Os donos da bola

Redação Crusoé
21.03.2026 07:05 3 minutos de leitura
Visualizar notícia
Kataguiri apresenta PL para acabar com indenização "simbólica" por dano moral

Kataguiri apresenta PL para acabar com indenização "simbólica" por dano moral

Guilherme Resck
20.03.2026 16:22 3 minutos de leitura
Visualizar notícia
Efeito Tayayá: reprovação a Toffoli pula para 81%

Efeito Tayayá: reprovação a Toffoli pula para 81%

Redação Crusoé
20.03.2026 15:58 2 minutos de leitura
Visualizar notícia

Variedades

Ver mais

A ciência deu um nome para quem sente medo de trabalhar: muita gente pode ter isso

A ciência deu um nome para quem sente medo de trabalhar: muita gente pode ter isso

Visualizar notícia
Esse animal consegue identificar rostos humanos e não esquece quem o irritou, dizem cientistas

Esse animal consegue identificar rostos humanos e não esquece quem o irritou, dizem cientistas

Visualizar notícia
Por que algumas pessoas ficam viciadas em fazer compras? O cérebro tem a resposta

Por que algumas pessoas ficam viciadas em fazer compras? O cérebro tem a resposta

Visualizar notícia
O detalhe dentro de casa que pode estar poluindo o ar sem você perceber

O detalhe dentro de casa que pode estar poluindo o ar sem você perceber

Visualizar notícia
Quem descumprir essa regra do governo pode pagar até R$ 10 milhões de multa

Quem descumprir essa regra do governo pode pagar até R$ 10 milhões de multa

Visualizar notícia
Avanço de vírus no Brasil leva à suspensão imediata de aulas

Avanço de vírus no Brasil leva à suspensão imediata de aulas

Visualizar notícia

Crusoé
o antagonista
Facebook Twitter Instagram

Acervo Edição diária Edição Semanal

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41
Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Acervo Edição diária

Edição Semanal

Facebook Twitter Instagram

Assine nossa newsletter

Inscreva-se e receba o conteúdo de Crusoé em primeira mão

Crusoé, 2026,
Todos os direitos reservados
Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem somos Princípios Editoriais Assine Política de privacidade Termos de uso