A defesa das bets
Empresas de apostas online afirmam que o endividamento das famílias se deve a altas taxas de juros, excesso de crédito e baixa educação financeira da população
Associações que reúnem empresas ligadas às apostas divulgaram comunicados após a audiência pública promovida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), para discutir os impactos da medida provisória do presidente Lula que proibiu a exploração de apostas de quota fixa no Brasil.
O principal argumento das bets é que não se pode relacionar o endividamento recorde da população às apostas online.
Durante a audiência pública, o economista Eric Brasil, da LCA Consultoria Econômica e representante da Associação Brasileira de Liberdade Econômica, apresentou um estudo sobre o setor.
Segundo ele, não há elementos que permitam atribuir às bets a responsabilidade sobre o endividamento da população.
“As famílias brasileiras gastaram 37 bilhões de reais em 2025. Quando a gente olha o consumo total das famílias no PIB, nós estamos falando de 8 trilhões de reais. O gasto total representou menos de meio por cento dos consumos das famílias. Como esse gasto pode ser alçado à condição de ‘principal fator de uma crise sistêmica de inadimplência e endividamento’?”, disse Eric.
O endividamento recorde teria como causas as taxas de juros elevadas, a ampla oferta e uso desordenado de linhas de crédito e a baixa educação financeira da população.
Eric Brasil também argumentou que as apostas não representam uma simples subtração da riqueza do país.
"Grande parte da receita bruta das operadoras retorna à sociedade por meio do pagamento de impostos, custos operacionais e despesas associadas. O estudo estima que a carga tributária para o setor em 2025 foi de cerca de 32%, com recursos destinados a áreas como esporte, turismo, segurança pública, educação, seguridade social e saúde", afirma uma nota do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável, o IBJR.
Supermercados
As empresas de apostas também criticaram notícias dizendo que os gastos nos supermercados teriam aumentado com a proibição das bets.
Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o desempenho do varejo alimentar apresentou alta de 6,5% no Brasil na semana entre os dias 05 a 11 de outubro de 2026, em relação ao mesmo período no ano anterior.
Para o IBJR, não há relação de causa e consequência entre a restrição às apostas legais e o aumento das compras nos supermercados.
"O varejo alimentar já apresentava crescimento em relação ao ano anterior em grande parte de 2026, período em que também entraram em vigor outras medidas com impacto na renda da população", diz a nota da IBJR.
De acordo com o IBJR, o fim das bets não acabou com os jogos, mas favoreceu os sites clandestinos.
"Dados do sistema LegitBet, adotado pela Polícia Federal, apontam uma forte correlação entre as operações de sites clandestinos e a medida provisória. Com um salto imediato na demanda, os números indicam que operadores fora da regulamentação enxergam uma clara oportunidade de mercado no cenário de proibição", diz a nota.
Esportes
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) também divulgou um comunicado chamando a atenção para os problemas da medida provisória de Lula.
Segundo a ANJL, os times de futebol, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e o Comitê Paralímpco do Brasil (CPB) poderão ser afetados.
“A saída abrupta das bets gera uma verdadeira debaque no sistema. Vinte e sete dos 40 clubes das séries A e B masculinas têm como patrocinador master bets. Esse patrocínio, somado, é de cerca de 1 bilhão de reais”, afirmou o advogado Igor Mauler Santiago, da CBF, durante a audiência noSTF.
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