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Voltar a estudar traz incontáveis benefícios em adultos e idosos, revela estudo

Por Jeferson da Rosa
24/08/2026
Em Geral
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Voltar estudar traz incontáveis benefícios

Voltar a estudar traz incontáveis benefícios em adultos e idosos, revela estudo - Imagem: Rovena Rosa/Agência Brasil

Aprender a ler e escrever após os 40 anos traz benefícios concretos para a memória e a capacidade de raciocínio, mesmo entre quem nunca teve oportunidade de estudar quando criança ou jovem. 

Essa é a principal constatação de uma pesquisa conduzida por equipes das faculdades de Medicina e de Educação da UFMG.

O trabalho analisou alunos da Educação de Jovens e Adultos na capital mineira, contrastando exames cerebrais feitos no início e no fim de um semestre letivo.

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Segundo dados do governo federal, havia 9,1 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não sabiam ler nem escrever no Brasil em 2023. 

Voltar a estudar traz incontáveis benefícios em adultos e idosos, revela estudo

O trabalho nasceu de uma lacuna concreta: faltam remédios capazes de deter doenças como o Alzheimer.

Foi esse cenário que levou João Victor de Faria Rocha a investigar uma alternativa ainda pouco explorada: usar o ambiente escolar como estratégia para proteger o cérebro e, possivelmente, prevenir quadros de demência.

A baixa escolaridade está entre os fatores de risco modificáveis para demência na América Latina, incluindo o Brasil. 

Grande parte do que se sabe sobre o tema vem de estudos com crianças e jovens, deixando uma lacuna sobre adultos que só aprendem a ler mais tarde.

Faltava entender se o cérebro de adultos e idosos responde ao estímulo da Leitura e da Escrita de forma semelhante ao de crianças e jovens. 

Essa dúvida levou o Grupo de Pesquisa em Neurologia Cognitiva e do Comportamento da UFMG a montar um acompanhamento direto com alunos da EJA.

Alunos matriculados em turmas iniciais de alfabetização de escolas públicas ligadas à Secretaria de Educação de Belo Horizonte participaram da pesquisa. 

A Faculdade de Educação da UFMG e o Centro de Alfabetização somaram forças à Faculdade de Medicina na condução do trabalho.

Os pesquisadores mediram memória, funções executivas e atividade cerebral por ressonância magnética funcional no começo do ano letivo e repetiram as avaliações depois de seis meses. 

Praticamente todos os voluntários eram analfabetos ou tinham pouquíssimo domínio de leitura e escrita, somando, em média, apenas dois anos de estudo em toda a trajetória escolar.

Um grupo seguiu somente as aulas comuns da EJA. Outro recebeu uma hora extra de alfabetização, três vezes por semana, com professoras da rede e estagiárias de pedagogia.

Essa divisão permitiu comparar o efeito de uma carga maior de ensino com o do modelo tradicional e observar se mais tempo dedicado à leitura traria ganhos cognitivos maiores.

Memória e raciocínio avançaram nos dois grupos

Seis meses depois, a memória episódica, que é a capacidade de aprender e lembrar do dia a dia, melhorou nos dois grupos. 

O avanço mais notável, porém, apareceu nas funções executivas, que envolvem raciocínio e capacidade de decidir com mais rapidez.

Quem passou pelo reforço intensivo teve resultados ainda melhores nesse quesito. 

Ler mais esteve ligado a uma conexão mais forte entre o córtex pré-frontal, ligado ao raciocínio, e o hipocampo, responsável pela formação de novas memórias.

Para João Victor, a ausência de tratamentos capazes de deter ou modificar doenças como o Alzheimer torna urgente buscar caminhos de prevenção. 

Aprender a ler entre os 40 e os 80 anos de idade surge, nesse cenário, como ferramenta com efeito mensurável sobre o cérebro.

O achado amplia o olhar sobre a função da escola para além da infância e da juventude. 

Retomar os estudos na vida adulta aparece como cuidado com a saúde cerebral, não apenas como via de inclusão social.

Pessoas com histórico de dificuldade de aprendizagem na infância mostraram progresso menor ao longo do acompanhamento. 

A hipótese levantada é que parte delas conviva com transtornos do neurodesenvolvimento nunca diagnosticados, como dislexia ou TDAH.

Esse público enfrenta um duplo desafio: sofre mais com a baixa escolaridade e responde menos aos programas padrão de ensino. 

Um suporte pedagógico mais personalizado dentro da EJA pode ser o caminho para alcançar esses alunos com eficácia.

Escolas vinculadas à SMED se tornam, dessa forma, espaços de promoção da saúde cerebral, e não apenas de alfabetização formal. 

Voltar à carteira escolar depois dos 40, dos 60 ou dos 80 anos passa a ser, segundo os achados da UFMG, um investimento direto no funcionamento do cérebro.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Jeferson da Rosa

Jeferson da Rosa

Jornalista apaixonado pela profissão

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