Pagar menos e usar mais: é esse o retrato do consumo de internet no Brasil no início de 2026, segundo o Panorama Econômico-Financeiro do Setor de Telecomunicações, divulgado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
O levantamento mostra queda no preço médio pago por gigabyte tanto na internet do celular quanto na banda larga fixa, mesmo com o consumo em alta nas duas modalidades.
No serviço móvel pessoal, que inclui os planos de dados usados no celular, o valor médio pago por gigabyte caiu 10,93% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, passando de R$ 6,13 para R$ 5,46.
No mesmo intervalo, o consumo médio por usuário cresceu 21,23%, saindo de 5,37 GB para 6,51 GB por mês.
A conta mais barata por gigabyte
A Anatel calcula esse valor dividindo a receita das operadoras pelo volume total de dados efetivamente consumidos pelos clientes, e não pelo que está contratado no plano.
Isso significa que, quando o consumo cresce mais rápido do que a receita das empresas, o preço médio por gigabyte cai, mesmo que o valor da mensalidade paga pelo cliente continue o mesmo.
Quanto os brasileiros pagam por mês
A receita média por usuário da telefonia móvel, indicador que a Anatel chama de Arpu, ficou em R$ 33,48 no primeiro trimestre de 2026.
Entre os clientes de planos pós-pagos, esse valor sobe para R$ 49,81, enquanto no pré-pago fica em R$ 12,12. São Paulo, Rio Grande do Sul e Distrito Federal aparecem entre as unidades da federação com a maior receita média por cliente no país.
Internet fixa segue estável, mas cresce mais devagar
Na banda larga fixa, oferecida majoritariamente pelas grandes operadoras, o preço médio por gigabyte ficou praticamente estável, em R$ 0,25.
O consumo médio por usuário também cresceu, mas em ritmo mais moderado que o da internet móvel, passando de 379 GB para 384 GB por mês, alta de 1,32%. A receita média por usuário da banda larga fixa chegou a R$ 95,49, com o Distrito Federal registrando o maior valor entre as unidades analisadas, de R$ 128,02.
Diferenças entre os estados
O consumo médio de dados móveis por usuário variou de 4,50 GB, no Maranhão, a 10,20 GB, no Distrito Federal. Já na banda larga fixa, a diferença foi ainda maior: de 282 GB, no Rio Grande do Norte, a 935 GB, no Acre.
O relatório, que consolida indicadores das operadoras de grande porte, é divulgado trimestralmente pela Anatel e também reúne dados sobre receita operacional líquida e investimentos do setor.
Uma tendência que já inverteu de direção antes
O cenário de queda nos preços não é permanente: relatórios anteriores da própria Anatel já registraram períodos de alta consecutiva no custo do gigabyte móvel, como entre 2024 e 2025, quando o valor chegou a subir por cinco trimestres seguidos.
Isso mostra que o comportamento do indicador tende a oscilar de acordo com o equilíbrio entre o crescimento da receita das operadoras e o do consumo de dados dos usuários.








