O Figueirense terá bloqueados eventuais valores a receber pela ida do atacante Allan do Palmeiras ao Manchester City, negócio avaliado em torno de R$ 240 milhões, por decisão da Justiça de São Paulo.
A medida atende a um pedido feito por credor do clube catarinense.
Desde 2020, a empresa M&F Investimentos e Participações S/A cobra do Figueirense, em processo judicial, uma dívida que somava R$ 8.984.202 conforme valor mencionado nos autos em janeiro de 2025.
Assim que teve conhecimento do negócio envolvendo Allan e o clube inglês, a credora solicitou, em regime de urgência, que os créditos fossem bloqueados, pedido que foi atendido pela Justiça.
Decisão judicial sobre bloqueio de valores do Palmeiras
A decisão abrange eventuais valores, presentes ou futuros, pertencentes ao clube catarinense ou à SAF, ligados à venda do atacante, seja participação econômica remanescente nos direitos do jogador, seja recurso do mecanismo de solidariedade da Fifa.
Ainda não há definição sobre qual percentual ou valor efetivamente cabe ao Figueirense.
O bloqueio recai apenas sobre créditos reconhecidos como pertencentes à entidade, respeitando o limite da dívida cobrada na ação.
Palmeiras e CBF receberão ofícios da Justiça e ficam proibidos de pagar diretamente qualquer quantia ligada à transação ou ao mecanismo de solidariedade; valores devidos precisam ir para conta judicial.
O Figueirense negociou com o Palmeiras, por R$ 1,6 milhão, uma fatia de 20% dos direitos econômicos que ainda mantinha sobre Allan, operação fechada às vésperas da Copa do Mundo de Clubes da Fifa, disputada em junho do ano passado.
Com isso, restaram 10% desses direitos ligados ao clube catarinense.
Rodrigo Faraco, jornalista da CBN Floripa e colunista do NSC Total, apurou que metade dessa fatia, equivalente a 5%, estaria comprometida com o pagamento a um empresário que emprestou dinheiro em troca dos direitos econômicos do atleta no ano passado.
Os outros 5% foram usados como garantia numa operação de empréstimo com o Athletico-PR em 2022, segundo o Figueirense, e a dívida estaria em cerca de R$ 8 milhões.
Diante do valor da negociação de Allan com os ingleses, essa parcela de 5% equivale a aproximadamente R$ 12 milhões.
Segundo o clube, o montante serviria primeiro para pagar o Athletico-PR, e o excedente, de cerca de R$ 4 milhões, iria para os cofres do Figueirense.
Prazos e próximos passos do caso
Diferentes compromissos envolvendo os direitos econômicos de Allan ainda precisam ser esclarecidos ao longo do processo.
A ordem judicial exige que sejam informadas eventuais cessões, garantias ou outros bloqueios que já incidam sobre esses créditos.
Palmeiras e CBF têm cinco dias, a contar do recebimento dos ofícios, para detalhar valores, titulares, forma e cronograma de pagamento, além de apontar direitos de terceiros sobre os recursos.
Enquanto isso, qualquer quantia retida ficará à disposição da Justiça, sem repasse imediato à M&F Investimentos.
A análise de possíveis credores concorrentes será considerada para determinar o destino final do dinheiro.
O Figueirense afirmou que o departamento jurídico trabalha no caso, mas não fará manifestação neste momento.








