Uma colisão provocada por um carro que trafegava na contramão em uma via no nordeste da Inglaterra deixou sete mortos: dois policiais e cinco jovens.
Diante disso, o governo britânico passou a exigir que o TikTok e outras redes sociais eliminem publicações que façam apologia a esse tipo de direção arriscada, que virou uma trend.
A cobrança envolve também os algoritmos das plataformas, e segundo as autoridades, as próprias empresas sabem quais publicações circulam em seus aplicativos com essa trend e como o sistema de recomendação funciona.
Trend causa morte de sete jovens e governo cobra atitude do TikTok
Os policiais Matthew Blades, de 37 anos, e Tom Clough, de 38, conduziam a viatura que foi atingida pelo Volkswagen na estrada próxima a Middlesbrough.
No carro que provocou a colisão, ocorrida no sábado (22), estavam cinco jovens com idades entre 17 e 23 anos, todos mortos no local.
Uma conta no TikTok atribuída a Makai Saddington, de 18 anos, uma das vítimas, trazia publicações anteriores que aparentemente mostravam direção arriscada, e o perfil foi posteriormente removido.
A Polícia de Cleveland, encarregada de investigar o caso, informou que não havia evidências indicando que as gravações feitas na noite de sexta-feira (21) e na manhã de sábado fossem destinadas à publicação no TikTok.
Em entrevista à BBC, o ministro da Defesa britânico, Luke Pollard, disse que o governo já havia procurado as empresas de redes sociais para pedir a retirada de conteúdo que celebra comportamentos de risco no trânsito.
Segundo ele, essas empresas sabem exatamente qual conteúdo está em seus sites e como o algoritmo funciona.
Pollard destacou ainda que as plataformas reconhecem quando usuários postam esse tipo de vídeo em busca de visualizações, e, em certos casos, de ganho financeiro, o que cria um estímulo direto à produção de conteúdo extremo.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, classificou como verdadeiramente repreensível a glorificação desse tipo de conduta ao volante.
Uma porta-voz de Downing Street reforçou o posicionamento oficial e classificou como vergonhosa a prática de transformar a direção perigosa em trend de rede social, que é um material de entretenimento para conquistar cliques.
O governo confirmou apoio total à Ofcom, a agência reguladora de mídia do Reino Unido, para que ela tome medidas contra esse tipo de conteúdo.
Casos semelhantes preocupam também a Irlanda
A tendência de gravar manobras arriscadas para as redes não fica restrita ao território britânico.
No início de agosto, cinco adolescentes morreram na Irlanda após um carro trafegar na contramão no condado de Kildare e bater de frente com outro veículo.
Os jovens foram identificados como Joe Carthy, Alex McCarthy, Kamil Pustkowski, Jeremy O’Brien e Jack Kennedy.
Quatro pessoas no segundo carro, entre elas uma criança de sete anos, ficaram feridas.
A agência irlandesa de proteção à infância Tusla informou que um dos jovens mortos estava sob seus cuidados e outros dois eram conhecidos pelo órgão.
Depois do episódio, deputados irlandeses formaram um comitê que chamou representantes do TikTok para explicar de que forma a empresa trata publicações que fazem apologia a práticas ilegais.
Contudo, a empresa recusou, alegando investigação policial em andamento e análise do regulador de mídia irlandês Coimisiún na Meán.
Segundo a emissora RTÉ, 62 casos de pessoas dirigindo na contramão em rodovias foram registrados na Irlanda até o momento neste ano, número 32% superior ao mesmo período do ano passado.
O Coimisiún na Meán solicitou explicações ao TikTok sobre como a plataforma respondeu a conteúdos relacionados à direção arriscada e imprudente.
Especialistas avaliam que as redes sociais deram um novo contorno à direção imprudente: gravar essas cenas afastaria psicologicamente o motorista do risco real, enquanto curtidas, visualizações e seguidores atuariam como recompensa imediata.








