Quinze anos após chegar ao Brasil com a promessa de revolucionar o mercado automotivo, a JAC Motors encolhe sua operação no país. A montadora chinesa, que inaugurou 50 concessionárias em um único dia em 2011 e terminou aquele ano diversos pontos de venda, reduziu sua rede física para apenas três unidades em 2026.
Segundo dados da empresa, em 2011, a JAC fechou 2011 contanto com 70 concessionárias no Brasil, além de ter emplacado 23,7 mil veículos naquele ano. Já em 2026, restam apenas a matriz no bairro do Limão, em São Paulo, e unidades em Curitiba e Porto Alegre.
De acordo com analistas, a retração marca o fim de uma era para a pioneira das montadoras chinesas no Brasil, que agora descontinua modelos, fecha portas e migra para um modelo de vendas à distância. Vale destacar, no entanto, que a empresa nega que irá abandonar o mercado brasileiro.
Apesar do fechamento massivo de lojas, a empresa mantém uma rede de 142 oficinas credenciadas para prestar serviço aos veículos já circulantes, tentando mitigar o impacto no pós-venda.
Prejuízos forçaram mudança
O principal motor da retração foi o insucesso financeiro da linha de carros de passeio elétricos, que se tornou insustentável frente à nova concorrência. A JAC Motors retirou de linha dois de seus três modelos de passeio: o SUV E-JS4 e o sedã E-J7.
Segundo os dados de emplacamento do grupo, entre janeiro e julho de 2025, a marca registrou 375 carros elétricos de passeio. Já no mesmo período em 2026, foram apenas 129 unidades, uma queda de 65,6%.
Com a descontinuação dos modelos principais, o subcompacto E-JS1 permanece como o único carro de passeio oferecido, mas com futuro incerto e estoques limitados.
A estratégia da marca agora se volta quase exclusivamente para o segmento de picapes, com destaque para o modelo Hunter (a diesel e elétrica), e veículos comerciais leves, onde os emplacamentos de elétricos chegaram a crescer.
Uma das principais causas da queda na empresa veio com a rival chinesa BYD, que vem sendo uma das campeãs no setor de carros elétricos do mercado brasileiro, que vem sendo liderado pelo Dolphin Mini, que apenas em 2025 registrou 32.488 emplacamentos, representando cerca de 40,5% de todas as vendas de elétricos no ano.
“Não é saída”, afirma a montadora
Diante do cenário de fechamentos, especulações sobre uma saída definitiva do Brasil ganharam força. No entanto, a JAC Motors e o Grupo SHC, seu importador oficial, emitiram notas esclarecendo que não pretendem deixar o país.
A empresa aponta que o movimento é uma reestruturação profunda em seu modelo de negócios e operação no país. O novo foco nas vendas online, investindo agora na substituição da rede de concessionárias por um portal digital de vendas diretas.
Além disso, o grupo também deve abandonar quase totalmente os carros de passeio em favor de picapes e comerciais e manter pontos físicos apenas para suporte, concentrando esforços na logística e importação.








