A Vivo está em fase final de negociações com a SpaceX para lançar no Brasil o serviço Direct-to-Cell, tecnologia que permite conexão direta de smartphones a satélites sem necessidade de antenas externas.
A confirmação da parceria, que deve ser anunciada oficialmente nos próximos meses, surge após usuários relatarem o surgimento da rede “Vivo Starlink” em seus dispositivos, o que indica que os testes técnicos já estão em andamento em território nacional.
De acordo com analistas, a iniciativa coloca a operadora na liderança da corrida tecnológica no país, aproveitando uma janela regulatória aberta recentemente pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A agência autorizou a Telefônica Brasil (dona da Vivo) a realizar experimentos com a tecnologia Direct-to-Device (D2D) em âmbito nacional entre 19 de julho e 22 de outubro de 2026.
Durante este período de “sandbox”, a empresa pode utilizar até 50 dispositivos nas frequências de 2.567,5 MHz e 2.687,5 MHz para validar a estabilidade da conexão em áreas remotas.
Cobertura em áreas remotas
O principal objetivo da aliança entre a Vivo e a Starlink é eliminar as “zonas de sombra” onde não há cobertura das redes terrestres 4G ou 5G. Diferente dos planos de dados convencionais, o serviço funcionará como uma extensão da rede móvel, se ativando automaticamente quando o celular perder o sinal das torres.
A tecnologia é compatível com modelos do iPhone 14 e posteriores, da Apple, e da linha Galaxy 23 e posteriores, da Samsung, que já possuem hardware preparado para comunicação via satélite.
Embora a rede “Vivo Starlink” já seja visível em alguns aparelhos, a operadora e a SpaceX mantêm sigilo sobre os detalhes comerciais. Até o momento, não há confirmação oficial sobre preços, limites de dados ou se o recurso será um adicional pago ou um benefício incluído em planos específicos.
Especialistas do setor avaliam que a oferta comercial plena só deve ocorrer após a conclusão dos testes atuais e o amadurecimento da constelação de satélites de segunda geração da SpaceX, previsto para 2027.
Competição pela cobertura de internet
Analistas afirmam que a movimentação da Vivo acelera a pressão sobre concorrentes como Claro e TIM, que também avaliam parcerias similares. A TIM, inclusive, já expandiu seu uso de internet via satélite da Starlink para conectar escolas públicas rurais, embora ainda utilize antenas tradicionais.
Com a autorização da Anatel e os testes em curso, o Brasil se prepara para se tornar um dos mercados pioneiros na América Latina a receber a conectividade direta via satélite em massa, prometendo transformar a experiência de usuários em rodovias, zonas rurais e áreas de difícil acesso.








