Antes de decidir quem paga a conta de luz, um condomínio que recebe pedido para instalar carregador de carro elétrico precisa responder a uma pergunta mais básica: a rede elétrica do prédio aguenta essa carga extra? A resposta, segundo Omar Branquinho, diretor de Produtos para Moradia do Grupo Superlógica, costuma ser o primeiro obstáculo real do processo.
“A principal dificuldade que eu enxergo é a questão de análise de carga, porque a carga de pico, ela sobe muito”, disse o executivo ao jornal A TARDE, durante o Superlógica Next 2026, evento do setor condominial em São Paulo.
Um exemplo prático ilustra o problema: um condomínio de 69 apartamentos precisou de um estudo técnico específico para descobrir que sua rede suportava apenas seis veículos carregando ao mesmo tempo, sem risco de sobrecarga.
Fornecedores medem e cobram consumo por aparelho
Segundo Branquinho, muitos fornecedores hoje trabalham em regime de comodato: instalam o carregador e assumem a responsabilidade de medir e cobrar o consumo separadamente, mesmo quando a energia entra pela rede geral do condomínio antes de chegar ao equipamento.
O pagamento, nesse modelo, costuma acontecer por aplicativo ou outra plataforma digital indicada pelo próprio fornecedor, o que evita que o custo do carregador de um morador se misture à conta de energia das áreas comuns.
Bahia e São Paulo já saíram na frente com legislação própria sobre o tema. Na Bahia, condôminos têm, por lei estadual, o direito garantido de instalar carregadores em suas vagas privativas. Em São Paulo, a lei estadual impede que síndicos e assembleias barrem a instalação sem justificativa técnica ou de segurança devidamente documentada, e passa a exigir que novos empreendimentos já prevejam capacidade elétrica mínima para futuras estações de recarga.
Projeto de lei federal ainda espera votação na Câmara
O Projeto de Lei 158/2025, que tenta padronizar essas normas em todo o país, recebeu parecer favorável do relator na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados em julho, mas segue sem data para ser votado.
Até lá, cada condomínio se orienta pela própria convenção interna e pelas normas técnicas da ABNT que regulam instalações elétricas e estações de recarga veicular.








