O receio dos trabalhadores brasileiros de serem substituídos pela inteligência artificial (IA) registrou uma grande queda em 2026, à medida que empresas revertem demissões em massa após constatarem falhas operacionais e perda de qualidade na automação total.
Segundo pesquisa do Datafolha, 48% dos profissionais afirmam ter medo de que suas profissões sejam substituídas pela IA, uma redução em relação aos 56% registrados há um ano.
Paralelamente, a parcela que não teme a substituição subiu de 41% para 49%, impulsionada pela familiaridade com ferramentas como chatbots e pela percepção de que a tecnologia atua mais como ferramenta auxiliar do que como substituta.
Efeito bumerangue
De acordo com analistas, a mudança de cenário é reflexo do chamado “efeito bumerangue da IA”. Um levantamento da consultoria Robert Half revelou que 29% das empresas que demitiram funcionários para implementar soluções de inteligência artificial precisaram recontratá-los posteriormente para as mesmas funções.
As áreas de Finanças, Recursos Humanos e Tecnologia lideram o índice de recontratação, com essas mudanças ocorrendo após organizações perceberem que a eliminação do fator humano resultou em erros críticos, queda na qualidade do atendimento e perda de conhecimento institucional.
Casos globais chegaram a se tornar exemplos disso, como o caso da montadora Ford, que trouxe de volta engenheiros experientes para corrigir falhas em veículos após realizar uma demissão em massa para usar IAs.
Além disso, o custo dessa reversão tem sido alto: empresas que recontrataram gastaram, em média, 1,27 vezes o valor que teriam despendido para manter os colaboradores, sem contar o desgaste na confiança da equipe.
Mercado aquecido
De acordo com especialistas, mesmo diante do avanço da IA, o mercado de trabalho brasileiro apresenta vigor, com o país ocupando a quarta posição mundial em intenção de contratação para o terceiro trimestre de 2026, com 52% das empresas planejando expandir seus quadros, segundo dados do ManpowerGroup.
O setor de Informação, que engloba tecnologia e telecomunicações, lidera a demanda com 55% de expectativa de novas vagas. A procura é impulsionada não pela substituição, mas pela necessidade de profissionais capazes de gerenciar e operar as novas ferramentas de IA.
Vale destacar, no entanto, que apesar da redução do medo da substituição, os trabalhadores mantêm resistência ao uso de algoritmos em decisões sensíveis.
A pesquisa do Datafolha indica que 79% dos brasileiros consideram inadequado o uso de IA em processos de contratação e demissão, reforçando a demanda por supervisão humana em questões que afetam diretamente a vida profissional.
Especialistas também apontam que o modelo que prevalece em 2026 é o da “augmentação”, onde a tecnologia potencializa a capacidade humana, em contraste com a automação pura que mostrou limites práticos e financeiros no último ano.








