O Canadá anunciou, nesta terça-feira (25), tarifas retaliatórias de C$ 27,6 bilhões, cerca de US$ 19,94 bilhões, sobre produtos dos Estados Unidos. A medida responde às tarifas de 50% que o presidente Donald Trump impôs a importações canadenses, em vigor desde sábado (22), depois de as negociações entre os dois países terminarem sem acordo.
Retaliação atinge 700 produtos americanos, dólar por dólar
O governo canadense classificou a resposta como uma equivalência direta às tarifas dos Estados Unidos: dólar por dólar, alíquota por alíquota. As novas taxas variam entre 15%, 25% e 50%, aplicadas a cerca de 700 produtos importados dos Estados Unidos, e entram em vigor em 8 de setembro.
“Nossas tarifas compensatórias, dólar por dólar e taxa por taxa, bem como um pacote de apoio de bilhões de dólares, protegerão trabalhadores, agricultores, famílias e empresas”, afirmou o ministro das Finanças do Canadá, François-Philippe Champagne.
O conflito comercial já dura semanas: a Casa Branca havia justificado as tarifas de 50% citando práticas comerciais consideradas prejudiciais aos setores de laticínios, automotivo e de bebidas alcoólicas dos Estados Unidos, com base na Seção 338 da legislação americana.
As tarifas atingem cerca de US$ 20 bilhões em exportações canadenses, incluindo aço, alumínio, móveis, roupas, cimento e artigos esportivos como tacos de hóquei.
Governo canadense reserva bilhões para amparar empresas afetadas
Além das tarifas, o Canadá anunciou um pacote de apoio financeiro de C$ 7,5 bilhões voltado a pequenas e médias empresas e trabalhadores que possam ser afetados pela escalada da disputa comercial.
O primeiro-ministro Mark Carney já havia classificado como “injustas e economicamente inviáveis” as exigências apresentadas pelos Estados Unidos na última rodada de negociações, suspensas na sexta-feira (21). A disputa também ameaça complicar o futuro do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), pacto de livre comércio que normalmente protege boa parte da produção canadense de tarifas americanas anteriores.
Autoridades canadenses reforçaram, em coletiva de imprensa, que a resposta busca “igualar a competição” com os Estados Unidos, sem provocar um agravamento ainda maior das tensões entre os dois países.
Ainda assim, o episódio já é tratado como um novo ponto baixo na relação entre Ottawa e Washington, que ao longo do ano viu sucessivas rodadas de tarifas e retaliações se acumularem entre os dois vizinhos norte-americanos.








