A recuperação judicial das Casas Bahia segue sem aprovação da Justiça de São Paulo, mais de uma semana depois de a varejista ter protocolado o pedido, em 16 de agosto. Antes de decidir se aceita o processo, a juíza responsável, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da capital paulista, determinou nesta quarta-feira (19) uma perícia prévia para verificar se a documentação apresentada pelo grupo corresponde à situação real da empresa.
Especialista terá até 30 dias para entregar laudo
Segundo a decisão, o objetivo não é “análise exauriente e aprofundada da empresa”, mas apenas uma “verificação sumária da correspondência mínima” entre os dados apresentados pela varejista e sua realidade prática.
A responsabilidade pelo trabalho técnico ficou com a administradora judicial ACFB, que terá até 30 dias, a partir da aceitação do encargo, para entregar o laudo à magistrada. A perícia deve avaliar documentos contábeis, contratos relevantes e as condições operacionais de lojas, centros de distribuição e operações de comércio eletrônico da companhia.
Além da perícia, a Casas Bahia recebeu um prazo de dez dias para completar a petição inicial com documentos que ainda faltam, entre eles certidões de protesto das filiais e a lista de bens dos administradores.
Enquanto o processo não avança, a companhia conta com uma proteção provisória: ficam suspensas medidas de vencimento antecipado de contratos ligadas exclusivamente ao pedido de recuperação, bloqueios de recebíveis fora do fluxo habitual e cortes nos serviços de energia, água, tecnologia e segurança. Fornecedores também precisam continuar entregando normalmente as mercadorias já em trânsito.
Segunda recuperação em dois anos, com dívida de R$ 17,3 bilhões
A Casas Bahia já ter renegociouR$ 4,1 bilhões em dívidas por meio de uma recuperação extrajudicial, sem precisar recorrer à Justiça, e agora, a situação chega à um patamar diferente, 2 anos depois deste caso.
Dessa vez, a companhia soma R$ 17,3 bilhões em dívidas e reportou prejuízo de R$ 10,1 bilhões apenas no segundo trimestre de 2026. Caso a Justiça aceite o processo depois da perícia, caberá aos credores votar pela aprovação ou não do plano de reestruturação apresentado pela empresa.








