As gigantes corporativas dos EUA, Tesla, Coca-Cola, Nestlé e eBay, se alinharam ao Brasil na disputa contra a imposição de tarifas pelo governo dos Estados Unidos. Em manifestações enviadas no início deste mês ao Representante Comercial dos EUA (USTR), as empresas classificaram as barreiras propostas como “economicamente inviáveis”.
A defesa das empresas
As multinacionais argumentam que a escassez crônica de insumos nos Estados Unidos torna a dependência do mercado brasileiro indispensável. O foco da argumentação das corporações é o fato de que os EUA são incapazes de suprir demandas críticas que o Brasil cobre.
Enquanto o governo americano investiga práticas comerciais brasileiras sob a Seção 301, o setor privado aponta que não existem alternativas viáveis de curto prazo para substituir produtos como suco de laranja concentrado, colágeno bovino e componentes específicos para veículos elétricos.
“A imposição de tarifas de 25% a 50% não protegerá a indústria americana; ela simplesmente interromperá cadeias de suprimentos que já operam no limite de sua capacidade”, afirmou um representante do setor durante as audiências públicas realizadas em Washington.
Problemas de produção na Flórida
Um dos principais argumentos apresentados foi o da Coca-Cola, que detalhou o colapso da citricultura na Flórida. A produção de laranjas no estado, que já foi a espinha dorsal do suprimento americano de suco, caiu 93% nas últimas duas décadas devido a problemas climáticos.
Dados apresentados pelas empresas indicam que a safra da Flórida, que chegou a 242 milhões de caixas em 2004, deve fechar a temporada 2025/26 com apenas 12 a 17 milhões de caixas.
“Sem o Brasil, não há suco de laranja suficiente para as prateleiras americanas”, resumiu o porta-voz da empresa, destacando que o Brasil é o único produtor global com escala para preencher essa lacuna.
Mais argumentos
A Tesla também marcou presença. A gigante dos carros elétricos de Elon Musk utilizou a audiência para alertar sobre os impactos no setor de alta tecnologia. A montadora explicou que certos insumos industriais e componentes de baterias importados do Brasil possuem especificações técnicas que a produção americana atual não consegue replicar.
A empresa advertiu que tarifas poderiam atrasar a inovação e encarecer a transição para a mobilidade elétrica nos EUA.
Já a Nestlé focou na segurança alimentar e de ingredientes, solicitando isenções para café solúvel e colágeno bovino. O Brasil, como maior exportador mundial de colágeno, fornece um insumo essencial que não tem substituto à mesma escala de custo e qualidade.
Por sua vez, o eBay defendeu uma pauta social, argumentando que taxar bens de segunda mão penalizaria diretamente as famílias americanas de baixa renda que dependem do mercado de revenda.
Próximo capítulo
A decisão final do USTR é aguardada para meados de julho. Se as tarifas forem mantidas, analistas preveem um repasse imediato de custos ao consumidor americano, inflacionando produtos básicos como café, sucos e veículos.
lobby corporativo agora pressiona por isenções setoriais, argumentando que a “independência econômica” pregada pelo governo não pode ser construída sobre a escassez artificial de produtos que os EUA não conseguem mais produzir.








