A Meta anunciou, nesta semana, que o recurso “Foco na Conversa” nos óculos inteligentes Ray-Ban Meta passará a ter cobrança mensal. A medida prevê que o recurso, feito para acessibilidade ao melhorar o som de conversas, seja veiculado ao plano Meta One Premium, que custa US$ 19,99 (cerca de R$ 100) mensais.
Com as mudanças, o recurso, que antes era gratuito, passa a ter limites de uso. Com a mudança, essa função passa a ter um limite de três horas mensais de uso, com o plano premium, esse limite passa a ser de 15 horas mensais.
O que muda na prática?
O Foco na Conversa, lançado em dezembro de 2025 como uma ferramenta de acessibilidade, utiliza seis microfones e algoritmos especializados para isolar vozes em ambientes ruidosos, amplificando-as em até 6 decibéis. A função foi projetada para auxiliar pessoas com dificuldades auditivas, permitindo conversas mais claras em restaurantes, reuniões e espaços públicos.
Com a nova limitação, usuários do plano gratuito terão acesso a apenas 6 minutos diários do recurso. Para quem necessita de uso contínuo, a única opção é assinar o Meta One Premium, que eleva o limite para 30 minutos diários.
No entanto, ainda assim, uma restrição considerada insuficiente por muitos usuários que dependem da ferramenta durante todo o dia. Minutos não utilizados expiram ao final de cada mês, sem acumular.
A polêmica
A medida foi alvo de diversas críticas nas redes sociais, com diversos internautas e ativistas por acessibilidade repudiando a mudança e acusando a empresa de tentar lucrar em cima de pessoas que necessitam de medidas de acessibilidade especiais.
Um dos pontos focais apontados pelos criticos é o questionamento sobre o uso de inteligência artificial pois, diferente de recursos de IA generativa que exigem servidores na nuvem, alguns internautas acusam o Foco na Conversa de operar inteiramente no dispositivo.
Alguns internautas chegaram a realizar testes independentes, alegando que a função permanece ativa mesmo com os óculos em modo avião, sem conexão à internet, demonstrando que não há consumo de infraestrutura da Meta por minuto de uso.
“É uma monetização artificial. A Meta está cobrando por uma função que já existe no hardware vendido, sem custo marginal para a empresa. Não há justificativa técnica para limitar o uso”, afirma Carlos Mendes, analista de tecnologia e acessibilidade.
Vale reforçar, no entanto, que a Meta alega que há uso ativo de inteligência artificial no recurso, com a IA sendo usada para identificar a voz de quem o usuário está falando, para garantir que o dispositivo reduza outros ruídos, mas não as vozes de quem está na conversa.
Impactos
A medida afeta diretamente pessoas com deficiência auditiva, público que mais se beneficia do recurso. Organizações de defesa dos direitos das pessoas com deficiência manifestaram preocupação com a criação de uma barreira financeira para uma ferramenta essencial.
Relatos em fóruns e redes sociais mostram usuários frustrados que adquiriram os óculos especificamente pelo recurso de acessibilidade e agora se veem diante de uma limitação inesperada.
As ações da Meta não sofreram impacto imediato, mas a repercussão negativa nas redes sociais e na imprensa especializada tem sido intensa. Usuários relatam estar considerando devolver os óculos ou migrar para concorrentes que não imponham restrições similares.



