A organização de direitos humanos FairSquare apresentou, nos últimos dias, uma denúncia ao Comitê Olímpico Internacional (COI) contra o presidente da Fifa, Gianni Infantino, por suposta violação das regras de neutralidade política durante a Copa do Mundo de 2026.
A queixa cita a proximidade entre o dirigente e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo a organização, Infantino teria cometido pelo menos cinco violações claras às normas de neutralidade política previstas na Carta Olímpica e no Código de Ética do COI, além de apresentar indícios de outras duas violações graves, que a entidade pede que sejam investigadas.
Caso que motivou a denúncia recente
Um dos pontos citados envolve a suspensão da punição imposta ao atacante americano Folarin Balogun, expulso na vitória dos Estados Unidos sobre a Bósnia e Herzegovina.

Pela regra, ele cumpriria suspensão automática de uma partida, mas um comitê disciplinar da Fifa cancelou a punição, liberando-o para jogar contra a Bélgica. Antes da decisão, Trump admitiu ter conversado por telefone com Infantino sobre o caso, enquanto o presidente da Fifa negou ter interferido no julgamento.
Boné que também entrou na denúncia
A FairSquare também citou a participação de Infantino em um evento promovido por Trump em fevereiro, batizado de “Conselho da Paz”, ocasião em que o dirigente da Fifa apareceu usando um boné escrito “USA” e “45-47”, referência aos dois mandatos presidenciais de Trump.
Para a organização, o gesto pode ser interpretado como manifestação de apoio político, incompatível com o dever de imparcialidade exigido de membros do COI.
COI tem autoridade sobre o caso
Infantino se tornou membro do COI em 2020, o que o coloca sob a jurisdição da Comissão de Ética da entidade em questões de neutralidade política. Esse é um dos princípios fundamentais do olimpismo aplicado a organizações esportivas como a Fifa.
Caberá à comissão avaliar se há elementos suficientes para abrir um procedimento formal de investigação, respeitado o direito de defesa de Infantino, antes de qualquer decisão sobre eventuais sanções.
A denúncia ao COI se soma a outra articulação em curso: dezenas de parlamentares europeus já se mobilizam para abrir uma investigação sobre a conduta de Infantino no Parlamento Europeu.
Até a publicação desta reportagem, o presidente da Fifa não havia se manifestado publicamente sobre a queixa apresentada pela FairSquare.







