Um recorde de 12,7 milhões de estudantes deve se formar em universidades chinesas neste ano, o maior número já registrado no país.
Ao mesmo tempo, o avanço da inteligência artificial e a reorientação da economia chinesa para setores como veículos elétricos, semicondutores e robótica têm dificultado a entrada desses jovens no mercado de trabalho.
Segundo dados oficiais do governo chinês, mais de um em cada seis jovens entre 16 e 24 anos, sem contar estudantes, estava desempregado em março deste ano.
Mesmo entre quem já concluiu a graduação, a dificuldade persiste: uma jovem formada em Contabilidade em Xangai relatou à imprensa britânica ter enviado 150 currículos sem conseguir uma vaga.
Diploma e mercado
Entre 2021 e 2025, universidades chinesas cancelaram ou suspenderam 12.200 cursos de graduação, ao mesmo tempo em que criaram 10.200 novos programas, segundo o Ministério da Educação do país. Mais de 30% de todos os cursos universitários da China foram ajustados nesse período.
Os cortes se concentraram em áreas como artes, humanidades, línguas estrangeiras e administração, consideradas saturadas, enquanto cresceram os cursos ligados a inteligência artificial, robótica, interfaces cérebro-computador e tecnologias de neutralidade de carbono.
Um mercado seletivo até para quem se atualiza
Apesar da reformulação dos cursos, empresas de tecnologia continuam com dificuldade para preencher vagas em áreas de ponta, como inteligência artificial, semicondutores e desenvolvimento de software.
Segundo a revista The Diplomat, a China forma cerca de 5 milhões de graduados por ano apenas em áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, o maior volume do mundo, mas grande parte dos jovens ainda prefere disputar empregos de escritório, considerados mais prestigiados, mesmo com a alta concorrência nesse segmento.
O governo tenta redirecionar os formados
Para tentar equilibrar o descompasso, o Ministério de Recursos Humanos e Segurança Social da China prometeu especializar 1 milhão de jovens em áreas STEM, com foco em treinamento técnico voltado às indústrias emergentes do país.
A medida gerou reações mistas entre os próprios formados, que questionam ter cursado anos de faculdade e pós-graduação apenas para serem direcionados de volta a cursos técnicos.








