Pesquisadores da Universidade Tufts, nos Estados Unidos, publicaram em 17 de agosto, um estudo que associa o tipo de vínculo entre adolescentes e seus cães a diferentes formas de lidar com o estresse social. Segundo o levantamento, ter um cachorro em casa não garante, por si só, que um adolescente se sinta menos sozinho.
A pesquisa integra o “Teen & Dog Study”, projeto de longo prazo que acompanha 514 adolescentes norte-americanos de 13 a 17 anos, todos com quadros de ansiedade social, junto de seus cães, em 44 estados do país.
Para o estudo mais recente, cada adolescente e um dos pais responderam a um questionário sobre diferentes aspectos da relação com o animal: afeto, companhia, cuidados diários, apoio emocional, atritos e a percepção do cão como substituto de relações humanas.
Ver o cão como substituto de amigos piora o enfrentamento do estresse
Dois aspectos apareceram associados a formas mais saudáveis de lidar com o estresse causado por colegas: companhia e envolvimento nos cuidados do animal.
Já quando o cão passa a ser tratado como substituto de pessoas, ou como um amigo mais importante do que qualquer colega humano, o efeito observado foi o oposto: os pesquisadores associaram esse padrão a estratégias menos saudáveis, incluindo maior insistência em pensamentos negativos.
“Uma explicação possível é que o fato de um cachorro se tornar a principal fonte de apoio social de um adolescente pode refletir a falta de outras conexões sociais”, afirmou Megan Mueller, professora da Cummings School of Veterinary Medicine e autora sênior do estudo. A pesquisadora dirige o Pets and Well-Being Lab, da própria universidade, dedicado a estudar a relação entre famílias, jovens e animais de estimação.
Estudo mostra associação, não causa e efeito
Os autores fazem uma ressalva importante: os resultados mostram associações estatísticas entre o tipo de vínculo com o cão e a forma de lidar com o estresse, não uma relação direta de causa e efeito.
Também vale destacar que a amostra é formada especificamente por adolescentes com ansiedade social, o que limita a generalização dos achados para o público adolescente como um todo.
Para famílias que consideram adotar um animal esperando que ele resolva sozinho a solidão de um filho adolescente, a conclusão dos pesquisadores é direta: o que parece importar não é simplesmente ter um cachorro em casa, mas o tipo de papel que esse animal ocupa na vida emocional do jovem, sempre como complemento, e não substituto, das relações humanas.







