A China realizou nesta quarta-feira (19) o primeiro pouso controlado em terra firme de um foguete no país, com o lançador reutilizável Zhuque-3. O voo partiu às 7h35, no horário de Pequim, da Zona de Testes de Inovação Espacial Comercial de Dongfeng, no noroeste chinês. Durante a subida, o Zhuque-3 colocou em órbita o satélite Honghu-03.
Seis minutos depois da decolagem, o primeiro estágio do foguete, desenvolvido pela empresa LandSpace, retornou à superfície e pousou na vertical, usando pernas de pouso retráteis que ficam recolhidas durante a subida, para reduzir a resistência do ar, e se abrem só na hora da descida. Veja o vídeo no X (Twitter) clicando aqui.
Feito usa combustível diferente do empregado pela SpaceX
Com 66,1 metros de comprimento, o Zhuque-3 tem configuração de dois estágios e núcleo único, construído principalmente em aço inoxidável. O veículo é movido a oxigênio líquido e metano líquido, combinação que promete menor custo e maior frequência de lançamentos, diferente do querosene usado nos foguetes Falcon, da SpaceX, empresa que já tornou rotineira a recuperação de estágios nos Estados Unidos.
Recuperar essa parte do foguete é o cerne da tecnologia reutilizável: em vez de construir um propulsor novo para cada missão, a ideia é revisar, reabastecer e reaproveitar a mesma estrutura, reduzindo custos e permitindo lançamentos mais frequentes.
Segundo a Administração Espacial Nacional da China, esse pouso é o segundo já realizado com sucesso pelo país, mas o primeiro em terra firme; em 10 de julho, o primeiro estágio de outro foguete, o Longa Marcha-10B, já havia sido recuperado no mar, com o auxílio de uma rede.
China busca alcançar EUA na corrida
Depois do lançamento, o Comitê Central do Partido Comunista e o Conselho de Estado chinês afirmaram que o país vai seguir investindo em veículos reutilizáveis, com o objetivo de ampliar a capacidade de exploração espacial a custo mais baixo e maior frequência.
O feito chega em meio a uma disputa crescente entre China e Estados Unidos pela liderança da tecnologia de reaproveitamento de foguetes, área em que a SpaceX ainda mantém vantagem consolidada, mas na qual empresas estatais e privadas chinesas avançam em ritmo acelerado.







