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Brasileiros querem aproveitar fim da escala 6×1 para fazer renda extra trabalhando no tempo livre

Por Júlio Nesi
09/07/2026
Em Geral
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Imagem meramente ilustrativa.

Foto: Vitaly Gariev / Pexels

Imagem meramente ilustrativa. Foto: Vitaly Gariev / Pexels

Em uma votação histórica realizada em maio de 2026, a Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil. Com 461 votos favoráveis no segundo turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) garante duas folgas semanais e reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas.

No entanto, enquanto o plenário celebrava a conquista, um estudo inédito do Centro de Inovação da Universidade de São Paulo (USP) lançava um alerta sobre os bastidores dessa mudança: sem políticas de renda e saúde mental, o tempo livre conquistado pode ser imediatamente convertido em nova sobrecarga de trabalho.

A pesquisa Saúde Mental, Modelos de Jornada Laboral e o Paradoxo da Renda Complementar, liderada pelo pesquisador Sergio Amad, revela que 33% dos trabalhadores brasileiros pretendem usar o novo tempo livre para gerar renda extra.

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O estudo aponta para o risco de um ciclo vicioso onde o profissional apenas “troca a exaustão do emprego pela exaustão dos bicos”, mantendo os índices de estresse inalterados.

Paradoxo da renda auxiliar

O núcleo da investigação desenvolvida na USP aponta que a redução de horas não se traduzirá automaticamente em bem-estar se a estrutura econômica não oferecer suporte.

Segundo Amad, que também é diretor de inovação da Associação Brasileira de Recursos Humanos de São Paulo (ABRH-SP), a pressão financeira imediata pode anular os benefícios do descanso. Logo, o pesquisador alerta que o país pode trocar um problema por outro.

Risco do “burnout autônomo”

Especialistas apontam que o alerta de Sergio Amad ressoa com tendências globais sobre a chamada “gig economy”. A facilidade de acesso a plataformas de trabalho intermitente cria um ambiente onde o descanso é monetizável, incentivando o trabalhador a simplesmente não parar.

Especialistas temem que, sem uma rede de proteção social robusta, o brasileiro migre da exaustão da escala 6×1 para a instabilidade e ansiedade de múltiplos empregos sem vínculos.

A pesquisa da USP conclui que a verdadeira vitória da redução de jornada só será alcançada se o tempo livre for efetivamente utilizado para recuperação física, convívio familiar e desenvolvimento pessoal.

Com isso, Amad alerta que, se a redução da jornada servir apenas para que o trabalhador abra espaço para monetizar horas livres e, de certa forma, trabalhar ainda mais, o benefício da mudança será anulado.

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Júlio Nesi

Júlio Nesi

Jornalista alagoano formado pela UFAL, já atuei em produção de conteúdo digital para portais, rádio e redes sociais.

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