O Brasil ocupa a 16ª posição na classificação global de supercomputadores por capacidade total, com dez máquinas listadas no ranking TOP500 e 143 petaflops de processamento somados.
Os dados são da 67ª edição do ranking, publicada na última segunda-feira (23) durante a conferência ISC 2026, em Hamburgo, na Alemanha.
A mesma edição trouxe a principal novidade do ciclo: a China voltou à liderança mundial com o LineShine, instalado no Centro Nacional de Supercomputação de Shenzhen.
O sistema registrou 2,198 exaflops de desempenho no teste padrão, superando em 21,5% o El Capitan, dos Estados Unidos, que dominava o topo desde 2024. É a primeira vez que uma máquina chinesa lidera o ranking desde 2017.
Os Estados Unidos seguem à frente em capacidade agregada com 161 sistemas listados, os americanos concentram 38% da capacidade total do TOP500, com 7.031 petaflops somados. A China aparece em segundo nesse critério, com 2.377 petaflops e 31 máquinas.
A meta do Brasil
O governo federal quer chegar ao top 5 mundial em capacidade de supercomputação até 2028. Para isso, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) prevê a aquisição de um novo supercomputador avaliado em R$ 1,8 bilhão, com cerca de 5.000 GPUs e arquitetura RISC-V.
O MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) previa lançar o edital para a compra ainda em outubro de 2025, mas o processo foi adiado para o primeiro semestre de 2026 por problemas logísticos, incluindo a definição do local de instalação.
Petrópolis, que abriga o atual Santos Dumont, foi descartada em razão do alto custo de energia e das limitações da infraestrutura elétrica.
O papel dos supercomputadores
São máquinas de alto desempenho são usadas em tarefas que processadores comuns não conseguem executar em tempo hábil, como previsão climática de curto prazo, simulação de vacinas, pesquisa de materiais, modelagem de reservatórios de petróleo e treinamento de modelos de inteligência artificial.
Com o novo equipamento, o governo pretende montar uma nuvem governamental para processar dados sensíveis do SUS e de outras instituições federais sem depender de infraestrutura estrangeira.
O investimento total do PBIA até 2028 é de R$ 23 bilhões. A posição atual do Brasil, 16ª no ranking, é resultado dos sistemas da Petrobras e de outras empresas brasileiras que submetem suas máquinas ao teste Linpack exigido pelo TOP500.




