O árbitro brasileiro Raphael Claus, que expulsou o estadunidense Folarin Balogun com um cartão vermelho na Copa do Mundo, se manifestou publicamente nesta semana para agradecer o apoio recebido de instituições e da torcida brasileira, dias após sua decisão em campo desencadear uma crise diplomática envolvendo o governo dos Estados Unidos e a FIFA.
A declaração ocorre no rastro da eliminação da seleção americana, que, mesmo com o retorno do atacante Balogun, foi derrotada pela Bélgica por 4 a 1.
“Sou muito grato a Deus por me permitir viver, mais uma vez, esse sonho, Minha gratidão às instituições que tenho a honra de representar pela confiança e pelo apoio. A minha família, que é meu alicerce… Obrigado a todos que dedicaram um tempo para me enviar uma mensagem”, escreveu Claus.
A manifestação de Claus fecha um capítulo tenso iniciado após ele expulsar Balogun por um lance sem contato intencional com o defensor bósnio Tarik Muharemovic.
A decisão, tomada após revisão do VAR, gerou reação imediata do presidente dos EUA, Donald Trump, que classificou o lance como “inacreditável” e interpelou diretamente o presidente da FIFA, Gianni Infantino, exigindo a reversão da suspensão automática do jogador.
Intervenção política na FIFA
Cedendo à pressão, o Comitê Disciplinar da FIFA optou por não anular o cartão vermelho, mas aplicou o Artigo 27 do Código Disciplinar para suspender a execução da pena. A medida colocou Balogun sob um período probatório de um ano: ele poderia jogar imediatamente, mas qualquer nova infração similar reativaria a suspensão.
A manobra jurídica, inédita em fases eliminatórias recentes, foi recebida com indignação pela UEFA e pela Associação Belga de Futebol, que classificaram a decisão como “injustificável” e uma violação da integridade esportiva. Trump, por sua vez, celebrou a vitória nos bastidores como o fim de uma “grande injustiça”.
Desfecho em campo
Apesar de habilitado a jogar, o retorno de Balogun não teve o efeito esperado. Sob intensa pressão midiática e com a torcida dividida, o atacante teve atuação discreta contra os belgas, registrando apenas 19 toques na bola e nenhum chute a gol.
O técnico Mauricio Pochettino também se pronunciou e lamentou a politização do caso: “Estou desapontado… misturaram política, ética e integridade, mas isso não é desculpa para nossa atuação”.
A derrota por 4 a 1 encerrou a campanha dos EUA como co-sede, validando as críticas de que a intervenção política pode ter sabotado o desempenho psicológico da equipe.







