O varejo brasileiro vive um momento de recordes no comércio online, com R$ 423 bilhões em vendas em 2025, alta de 21%, segundo o banco UBS BB, mas, ao mesmo tempo, encolhe suas redes físicas.
Desde o fim de 2022, cinco das maiores redes do país, Casas Bahia, Americanas, Carrefour, Marisa e Magazine Luiza, fecharam, juntas, mais de 1,1 mil lojas, segundo um levantamento do Estadão.
De acordo com especialistas, o recuo marca o fim de uma era em que crescer significava abrir portas. Agora, a disputa pelo consumidor acontece na tela do celular, e o custo de manter milhares de unidades, como aluguéis, equipe e operação, se tornou insustentável para boa parte do setor.
Além disso, os empregos também foram impactados: o setor varejista eliminou 46 mil vagas líquidas em 2026, puxado por vestuário, calçados e supermercados.
Quem cortou quanto?
A Casas Bahia lidera o ranking de fechamentos. A rede tinha 1.133 lojas no fim de 2022 e deve encolher em cerca de 400 pontos em menos de quatro anos. Com R$ 17,3 bilhões em dívidas submetidas à recuperação judicial, a companhia prevê fechar 298 lojas e demitir cerca de 3.000 funcionários.
O presidente, Renato Franklin, já afirmou que não prevê retomada do crescimento nos próximos dois anos.
Já a Americanas perdeu 333 unidades no mesmo período, caindo de 1.803 para 1.470 lojas entre o fim de 2022 e dezembro de 2025. O corte acompanhou a recuperação judicial deflagrada após a crise contábil de janeiro de 2023, com a estratégia de concentrar a operação nos pontos de maior potencial de retorno.
O Carrefour reduziu sua rede de 1.203 para cerca de 1.000 unidades durante a integração do Grupo BIG. A diferença de 203 pontos reúne fechamentos, vendas e mudanças de bandeira; 123 lojas foram definitivamente encerradas.
Na Marisa, a redução ganhou um símbolo: o fechamento, no início deste ano, de uma das principais vitrines da marca, na Avenida Paulista, após 15 anos de funcionamento. A rede terminou 2025 com 230 lojas, contra 334 três anos antes, um corte de 104 unidades.
O Magazine Luiza foi o mais discreto no recuo: chegou a junho deste ano com 1.246 lojas, 93 a menos que no fim de 2022, em um movimento de maior disciplina financeira.
Qual é o motivo disso?
Segundo representantes, as empresas iniciaram o movimento por motivos diferentes. Casas Bahia e Americanas enfrentaram crises financeiras e perda de confiança; o Carrefour reorganizou a rede após incorporar o Grupo BIG; a Marisa encerrou unidades deficitárias; e o Magazine Luiza buscou maior eficiência.
Economistas e especialistas do setor, no entanto, apontam que o pano de fundo é o mesmo: o avanço do e-commerce e dos marketplaces, inclusive os internacionais, na decisão de compra. As vendas online já representam 14,4% do varejo brasileiro, e a tendência é de crescimento.
Devido a isso, diversos varejistas vêm redesenhando seus modelos para garantir menos dependência da expansão física e mais foco em logística, experiência omnichannel e presença digital competitiva. As lojas que restarem não ficarão apenas como pontos de venda e tenderão a funcionar como hubs de entrega, devolução e experiência.








