Herdeiro do fundador das Casas Bahia, o empresário Saul Klein financiou o São Caetano por quase duas décadas e viu o clube alcançar o vice-campeonato da Libertadores.
Os aportes constantes sustentaram uma folha salarial superior ao porte real da instituição.
A ascensão foi rápida: o Azulão saiu das divisões inferiores, somou dois vices no Campeonato Brasileiro, um na Libertadores e faturou o Campeonato Paulista em 2004.
A Casas Bahia, nascida em São Caetano do Sul, mesma cidade do clube, foi a principal patrocinadora nesse período.
Primeira SAF do Brasil? Antes de crise histórica, herdeiro das Casas Bahia investiu alto em clube brasileiro
A saída definitiva de Saul Klein, em 2020, marcou o início de uma crise financeira que o São Caetano não superou. O clube chegou a ficar sem vaga em divisão nacional.
Hoje gerido pelo empresário Jorge Machado, foi eliminado na semifinal da Série A4 Paulista de 2026.
A Copa Paulista ficou como único caminho para tentar retornar ao cenário nacional em 2027.
Saul Klein aportou recursos para o futebol de São Caetano durante duas décadas, mas a Casas Bahia, que sustentava esses aportes, enfrentou deterioração econômica.
Em agosto, o Grupo Casas Bahia fechou 298 lojas e dispensou 1,9 mil colaboradores. Também pediu recuperação judicial na Justiça de São Paulo, com dívidas declaradas de R$ 17,3 bilhões.
A família Klein deixou o controle da varejista em 2009. Desde 2025, a gestora Mapa Capital comanda a empresa de forma majoritária.
Ainda assim, a marca Casas Bahia mantém os direitos de nomenclatura do Campeonato Paulista, sinal de que a presença no futebol estadual resiste mesmo em meio à turbulência.
A recuperação judicial das Casas Bahia
Paralelamente à dívida de R$ 17,3 bilhões, a Casas Bahia disputa na Justiça a recuperação de mais de R$ 1,19 bilhão em valores retirados de suas contas ou retidos por terceiros.
Esse montante não deve ser somado à dívida principal: trata-se de recursos que podem reforçar o caixa durante o processo, não de obrigações a renegociar.
A soma reúne três frentes distintas: R$ 422 milhões debitados pelo Banco do Brasil, que, segundo a Casas Bahia, pagou fianças acionadas por Apple e Mapfre.
E, em seguida, retirou o valor das contas da varejista para se ressarcir; mais de R$ 18 milhões retidos por operadoras de cartão como Cielo, Getnet e Rede; e mais de R$ 750 milhões em depósitos trabalhistas.
Há ainda o bloqueio de contas mantidas no BTG Pactual, sem valor informado na petição.
Especialistas avaliam que a separação entre dívida principal e recursos em disputa expõe categorias jurídicas diferentes.
A busca por esses valores funciona como estratégia de proteção do capital de giro, mas também revela a pressão financeira que a empresa enfrenta.
A Casas Bahia argumenta que o Banco do Brasil não deveria ter recebido antes dos demais credores ao retirar o valor das fianças pagas a Apple e Mapfre.
A Justiça precisa avaliar quando a obrigação original e a garantia foram firmadas para decidir se o Banco também deve integrar a renegociação.
Enquanto a Justiça de São Paulo não decide sobre os valores em disputa, o São Caetano segue tentando reconstruir.
A Copa Paulista é a única via para que o clube busque retorno ao cenário nacional em 2027.








