A Fifa e sua diretoria viraram alvo de uma medida judicial movida pela Uefa nos Estados Unidos, passo inicial para uma futura ação criminal na Suíça.
O órgão europeu suspeita que a cúpula da entidade tenha cometido irregularidades na gestão ligadas a um projeto que acabou não sendo colocado em prática.
Presidente da Fifa responderá ação criminal movido por países europeus
O caso gira em torno do Fifa Forward Enterprise, iniciativa comercial criada para atrair investidores privados dispostos a comprar direitos ligados à Copa do Mundo.
Pelo plano de Infantino, uma fatia de 20% da empresa ficaria nas mãos de um grupo de investidores comandado por Joshua Kushner, nome próximo ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Confederações internacionais pressionaram contra o plano, que foi abandonado.
Documentos citados na ação indicam que Infantino considerava um cargo de comissário na empresa, com remuneração proposta de US$ 30 milhões anuais, o equivalente a R$ 155 milhões, superior à remuneração que ele recebe atualmente na Fifa.
Sua remuneração total no órgão é de aproximadamente US$ 6 milhões por ano.
Segundo a ação europeia, nenhuma confederação-membro foi informada sobre esse arranjo, e não havia salvaguardas para impedir que o interesse pessoal de Infantino na transação influenciasse suas decisões sobre o projeto.
Documentação e investigação
A Uefa entrou na Justiça americana para solicitar a empresas da Fifa nos EUA todos os documentos relacionados ao caso e pedir que eles fossem preservados.
Esses documentos servirão como base para uma possível ação judicial na Suíça, possivelmente por gestão fraudulenta.
Reportagens britânicas e norte-americanas serviram de fonte para a denúncia.
A ação também questiona outras condutas de Infantino à frente da Fifa, como decisões que o teriam beneficiado diretamente, como a saída de integrantes do Comitê de Ética e a prorrogação de mandatos.
Também é questionada interferência no caso do jogador norte-americano Balogun, isentado de punição durante a Copa do Mundo.
A Uefa havia pressionado contra o projeto, e a Fifa ainda não respondeu a um pedido de comentário.








