A Caixa Econômica Federal atingiu em junho a marca de R$ 1 trilhão em sua carteira de crédito imobiliário, um avanço de 14,2% em 12 meses. O resultado consolida a estatal como a principal financiadora da casa própria no país e na América Latina, com cerca de 68% de participação nas operações de financiamento habitacional do Brasil.
Em entrevista ao Valor Econômico, o presidente do banco, Carlos Vieira, confirmou que a instituição manterá o ritmo de expansão, buscando operar no limite permitido pelo orçamento disponível. “O crédito imobiliário segue como uma das principais alavancas de crescimento do banco”, afirmou.
Trajetória dobra e Minha Casa, Minha Vida é o motor
De acordo com analistas, esse “boom” do trilhão é fruto de uma trajetória consistente do banco. Em junho de 2020, a carteira da Caixa somava R$ 483,6 bilhões. Seis anos depois, o valor mais que dobrou, um incremento acumulado de cerca de 107%, com a incorporação de aproximadamente R$ 516 bilhões em novos financiamentos.
O ritmo se acelerou no início deste ano: só no primeiro trimestre de 2026, a Caixa originou R$ 64,2 bilhões em crédito imobiliário, um salto de 30,6% na comparação anual. No encerramento do primeiro trimestre, a carteira já somava R$ 966,2 bilhões, com alta de 3,0% em relação ao trimestre anterior.
Ainda segundo os analistas, o programa Minha Casa, Minha Vida é o principal pilar da expansão: 58,4% da carteira está vinculada ao programa, que financiou 659,2 mil unidades no último ano.
Para 2026, o programa conta com R$ 208,66 bilhões em recursos disponíveis, valor que subiu após a inclusão de R$ 20 bilhões do Fundo Social, com a meta de entregar 3 milhões de unidades habitacionais até dezembro.
Vieira atribui o desempenho ao papel central do Minha Casa, Minha Vida na ampliação do acesso à moradia, no impulso à cadeia da construção civil e na geração de empregos. “A Caixa viabiliza a realização do sonho da casa própria para 3 mil brasileiros todos os dias”, discursou durante a cerimônia de comemoração.
Diversificação de fontes
Ainda segundo Vieira, um dos desafios do setor tem sido a desaceleração dos depósitos na poupança em um cenário de juros elevados, o que reduziu a disponibilidade de recursos para financiamento. Para compensar, a Caixa intensificou o uso de Letras de Crédito Imobiliário (LCIs).
Com os LCIs, no primeiro trimestre de 2026, o banco captou quase R$ 5 bilhões em LCIs, demonstrando, nas palavras de Vieira, “a robustez da captação de crédito”.
O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) também ganhou peso na estrutura de financiamento, respondendo por cerca de 60% das operações no primeiro trimestre. Além disso, a Caixa prevê ter à disposição R$ 38 bilhões a mais em fundos até o fim de 2026, graças à liberação de compulsórios criada pelo novo modelo de financiamento do setor.
Cenário desafiador
Durante a entrevista ao Valor Econômico, Vieira também reconheceu que o segundo trimestre foi um período difícil para o mercado, mas avaliou que a Caixa entregou “números muito significativos”. O executivo destacou o “crescimento sustentável de uma carteira que cresce nessa velocidade” e o trabalho de redução da inadimplência.
A expectativa da direção é que a carteira continue crescendo ao longo do ano, sustentada pela combinação do Minha Casa, Minha Vida, FGTS, poupança e instrumentos do mercado de capitais.








