A atriz Maitê Proença, 68, abriu o jogo sobre o episódio que encerrou quatro décadas de vínculo com a TV Globo. Em entrevista ao programa semanal da coluna GENTE da Veja, a artista descreveu a demissão como “muito feia” e “conturbada” e alertou que, sem sua disciplina financeira, o episódio poderia ter “destruído” a vida dela.
Segundo a atriz, ela não recebeu nenhuma comunicação oficial da emissora. A notícia da saída chegou por meio do que ela chama de “fofoca de jornal”. Ou seja, ela soube da demissão através de notícias jornalísticas de bastidores das celebridades antes de ser comunicada pela emissora.
“Entrei aos 20, fui mandada embora aos 60. E não teve carta, não teve aviso prévio, não teve verba de rescisão, nada”, resumiu Proença.
Colegas tentaram tranquilizar
Proença contou que, pouco antes do desligamento, funcionários da Globo a tranquilizaram após o sucesso da minissérie Liberdade, Liberdade. “Fica tranquila, você vai ficar”, teria sido uma das mensagens que recebeu de colegas.
No entanto, a demissão acabou vindo e, segundo a atriz, ela tentou conversar com colegas e outros contatos dentro da empresa para reverter a situação, mas não conseguiu. “Tentei conversar, não consegui, nem com as pessoas que me recebiam em casa e que eu já tinha chamado para minha casa”, desabafou.
A artista se descreveu como a primeira das artistas mais velhas a ser dispensada naquele lote de desligamentos e acredita que seu caso abriu um período de transição na emissora. “Depois, aprenderam a fazer com menos pressa”, avaliou.
Já sobre as consequências financeiras e pessoais, a atriz comentou que o episódio poderia ter “destruído” a vida dela. “Se eu não fosse uma pessoa com alguma disciplina financeira, teria destruído a minha vida, né?”
Após a saída, Proença tem se mantido ativa em projetos independentes e participações em produções fora da Globo.
Mais criticas
Além de comentar sobre o seu desligamento, Proença também apontou a saída do executivo José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, como um momento decisivo na transformação da Globo.
“A saída do Boni atrapalhou muito. Ele disse que para a Globo manter o nível que tinha, só subindo, porque para baixo não tinha nada que ele quisesse. Não ouviram”, disse.
Proença recordou Boni como “intuitivo e conhecedor”, com “pulso firme” nas decisões. Citou, como exemplo, o episódio em que ele ordenou a refilmagem de cinco capítulos de uma novela por considerar o material ruim. Ordem que, segundo ela, deu certo.
Confira a entrevista:








