A Austrália, que em dezembro de 2025 se tornou o primeiro país do mundo a proibir o uso de redes sociais por menores de 16 anos, enfrenta agora um aumento do interesse dos jovens pelas redes após a proibição.
Dados divulgados nesta semana mostram que, três meses após a entrada em vigor da medida, 85% dos jovens entre 12 e 15 anos continuam ativos nas plataformas, com o uso voltando a crescer e se aproximando dos níveis anteriores à proibição.
A legislação, que abrange TikTok, Facebook, Snapchat, Reddit, X e Instagram e prevê multas de até A$ 50 milhões por descumprimento, produziu inicialmente uma queda no uso de algumas plataformas. O TikTok e o Snapchat registraram recuo, mas a recuperação foi rápida. O Reddit, por exemplo, saltou de 6% para mais de 9% entre os jovens.
Falta de mecanismo eficiente
Especialistas apontam a ausência de um mecanismo eficaz de verificação de idade como a principal causa do fracasso. Dois terços dos adolescentes que permaneceram ativos o fizeram apenas declarando idade falsa ou enviando selfies que foram aceitas automaticamente pelos sistemas das plataformas.
Já no caso dos jovens que não tiveram selfies aceitas ou que não conseguiram declarar idade falsa, eles utilizaram ferramentas para ocultação de dados pessoais e redes virtuais privadas (VPNs).
Vale destacar também que houve uma migração massiva dos jovens para o WhatsApp, aplicativo de mensagens da Meta que atualmente não é acobertado pela lei australiana.
Efeito dominó
Apesar dos resultados, a medida australiana segue servindo de referência para outros países. O Reino Unido e a França têm debatido propostas inspiradas no modelo australiano, enquanto o Brasil acompanha de perto a experiência como insumo para o próprio debate sobre regulação de menores no ambiente digital.
Já países como a Nova Zelândia vêm propondo leis parecidas com a da Austrália, visando garantir maior segurança, privacidade e saúde mental para os cidadãos menores de idade.








