A Justiça catarinense decretou a falência da fabricante de móveis Três Irmãos, encerrando mais de cinco décadas de atividade no setor.
A dívida acumulada pela empresa está estimada em R$ 133 milhões, mas o valor pode ser revisto à medida que avança o levantamento completo dos débitos.
A produção está parada desde maio de 2026, e a decisão judicial já determinou o lacre da fábrica matriz em Campo Alegre e da filial em Caçador.
A administradora judicial Recupere ficou responsável por mapear, reunir e avaliar o patrimônio restante da companhia.
A administradora judicial deverá preparar os bens para leilão, e o dinheiro arrecadado será revertido aos credores conforme as regras do processo falimentar.
Com dívida que ultrapassa os R$ 100 milhões, fábrica de móveis brasileira encerra operação
A retirada acelerada e sem autorização judicial de máquinas de grande porte e a paralisação completa das atividades em 14 de maio de 2026 foram fatores que pesaram contra a empresa.
O abandono das instalações reforçou o entendimento da Justiça de que não havia mais viabilidade para manter a recuperação judicial em curso.
Um pedido de recuperação judicial já havia sido aberto em 2024, quando a companhia tentava reequilibrar as contas após dificuldades ligadas principalmente ao mercado externo.
Em abril deste ano, imóveis e equipamentos industriais avaliados em cerca de R$ 7 milhões chegaram a ser colocados à venda, numa tentativa de gerar caixa.
A venda não foi suficiente para conter o agravamento das dívidas.
Em junho, o Ministério Público pediu a conversão da recuperação em falência, e a Justiça acatou o pedido após identificar irregularidades graves no processo.
A decisão cita o não pagamento de cerca de R$ 210 mil que a empresa deveria ter quitado durante a recuperação, além de outros € 175 mil pendentes.
Há ainda R$ 3,25 milhões arrecadados com a venda de ativos autorizada judicialmente, cujo destino a empresa não conseguiu comprovar.
Três parcelamentos de ICMS com o Governo de Santa Catarina foram cancelados por atrasos, e a empresa também tem dívidas em atraso com a Receita Federal.
Esses problemas levaram o Judiciário a concluir que a companhia não tinha mais condições de seguir no processo de recuperação.
De pequena marcenaria a grande exportadora
A Três Irmãos nasceu em Campo Alegre, no Planalto Norte de Santa Catarina, em 1971, como uma marcenaria que fabricava carroças.
A empresa alcançou décadas depois uma estrutura industrial e, com a produção de móveis de madeira maciça, chegou ao mercado nacional e, mais tarde, ao exterior.
A expansão começou em 2009, quando a companhia passou a exportar para a multinacional sueca IKEA.
Novas plantas surgiram em Caçador, em 2016, e em São Bento do Sul, em 2020. No período de maior crescimento, a empresa chegou a empregar 500 trabalhadores.
A crise ganhou força ainda durante a pandemia, quando o frete marítimo internacional disparou e comprometeu a competitividade de uma empresa fortemente dependente das exportações.
O contêiner chegou a custar US$ 10 mil em determinados momentos, encarecendo toda a logística de venda para fora do país.
Insumos como MDF, colas e vernizes também ficaram mais caros, enquanto os juros elevados dificultaram o acesso a crédito e apertaram ainda mais o caixa da companhia.
Em 2023, as exportações do setor moveleiro catarinense recuaram 27,7%, um sinal do tamanho da dificuldade enfrentada por fabricantes como a Três Irmãos.
Com a falência decretada, a administradora judicial decidirá o destino de máquinas, imóveis e equipamentos até a conclusão do leilão previsto no processo.








