Pela primeira vez em duas décadas, nenhum clube do Campeonato Inglês entrou em campo com uma casa de apostas estampada no peito da camisa. A mudança vale para a Premier League, e passou a valer na abertura da temporada 2026/27, na sexta-feira (21), no confronto entre Arsenal e Coventry City.
A restrição, porém, está longe de significar o fim total do patrocínio de bets no futebol inglês, como o termo “fim das bets” pode sugerir. A medida se aplica apenas ao espaço master, área mais nobre e cara da camisa, no meio do peito. Empresas de apostas continuam autorizadas a aparecer nas mangas, na parte de trás dos uniformes, nas camisas de treino e em placas publicitárias dentro dos estádios.
Clubes ingleses tiveram três anos para se adaptar à mudança
Foram os próprios 20 clubes da liga que aprovaram a restrição, em uma votação realizada em 2023. Desde então, cada equipe teve três temporadas para reorganizar seus contratos comerciais antes de a regra passar a valer, o que só aconteceu agora, no início de 2026/27.
Na última edição do torneio, mais da metade dos times, 11 de 20, ainda exibia uma casa de apostas como principal patrocinadora, a maioria fora do grupo tradicionalmente chamado de Big Six, como Aston Villa, Everton, West Ham e Wolverhampton.
O impacto financeiro é considerável: o jornal britânico The Guardian estima que os clubes deixem de receber, juntos, até 80 milhões de libras, cerca de R$ 548 milhões, com o fim desses acordos.
Alguns clubes já buscaram alternativas fora do setor de apostas para preencher o espaço, como o Aston Villa, que substituiu a casa de apostas Betano, marca também presente no Flamengo e no Campeonato Brasileiro, por um contrato com a Visit Rwanda, iniciativa de turismo do governo ruandês.
Já o Manchester United manteve uma parceria com a operadora de apostas Betway, mas restrita ao uniforme de treino, fora do alcance da nova regra.
Brasil segue em direção oposta à da Inglaterra
Enquanto os clubes ingleses reduzem a presença das bets nas camisas, o mercado brasileiro caminha para o lado contrário. Em 2025, todos os 20 clubes da Série A do Brasileirão tinham algum contrato com casas de apostas; neste ano, esse número caiu, mas apenas para 16 clubes com uma bet como patrocinadora master, o que ainda deixa o setor dominante no futebol nacional.
Vasco, Inter, Grêmio e Coritiba, hoje sem esse tipo de patrocínio, representam a exceção dentro do cenário, não uma tendência de mudança. O Brasil aparece atualmente na 5ª posição entre os países que mais acessam sites de apostas no mundo, de acordo com dados citados pela BBC, com o setor projetado para movimentar US$ 4,1 bilhões no país só em 2025.








