O Brasil recebeu 5,87 milhões de turistas internacionais entre janeiro e julho de 2026, uma retração de 1,3% em comparação ao mesmo período de 2025, quando o país acolheu 5,95 milhões de estrangeiros. Os dados foram divulgados pela Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), em conjunto com o Ministério do Turismo.
De acordo com a Embratur, os dados expõem a primeira queda no turismo após dois anos de recuperação pós-pandemia, indicando que o “boom” turístico pode estar perdendo força diante de novos obstáculos econômicos e regionais.
Segundo os dados, a principal responsável pelo resultado negativo foi a queda abrupta no Rio Grande do Sul. O estado, que havia liderado o crescimento no ano anterior, sofreu uma retração de 26,5% no fluxo de visitantes, passando de 1,25 milhão para 923 mil chegadas.
Especialistas apontam que, sem esse colapso regional, o Brasil teria registrado crescimento, ainda que tímido, no acumulado do ano.
Sinais de desinteresse
Apesar do crescimento em destinos consolidados como Rio de Janeiro e São Paulo, que registraram aumentos de 14,4% e 4,4%, respectivamente, a retração geral levanta preocupações sobre a atratividade do Brasil em mercados emissores.
A retomada da exigência de vistos para norte-americanos, canadenses e australianos em abril de 2025 continua a ser apontada por agentes de viagem como um freio ao crescimento espontâneo, especialmente quando comparada a destinos concorrentes que facilitaram a entrada.
Além disso, a crise econômica na Argentina, tradicionalmente o maior emissor de turistas para o Brasil, reduziu drasticamente o turismo de fronteira e aéreo, afetando não apenas o Sul, mas o equilíbrio da balança turística nacional.
Gastos recorde
Os dados também expõem que os turistas estão gastando mais no Brasil, um crescimento de cerca de 12%, atingindo US$ 5,6 bilhões no primeiro semestre, o que significa uma maior injeção na economia.
No entanto, especialistas atribuem o aumento do gasto à inflação dos serviços turísticos e ao câmbio favorável, e não necessariamente a um aumento no número de visitantes de alto poder aquisitivo capaz de compensar a perda de massa crítica de viajantes.
O setor de aviação e hotelaria teme que a tendência de queda se acelere no segundo semestre, comprometendo a projeção otimista de 10 milhões de visitantes para o fechamento de 2026.








