Adolescentes que passaram mais tempo diante de telas na infância apresentaram melhor desempenho em testes de memória e cognição aos 16 anos, conforme aponta pesquisa finlandesa que acompanhou centenas de crianças ao longo de oito anos.
O achado desafia expectativas comuns sobre o uso de dispositivos eletrônicos na infância.
Mas atenção: isso não significa que celulares, videogames ou computadores desenvolvam inteligência por si só e que jovens devem aumentar seu tempo de tela.
Estudo europeu revela resultado surpreendente sobre o impacto das telas em crianças
Segundo a pesquisa, esse resultado positivo só é alcançado quando o tipo de atividade realizada durante o tempo de tela estimula o desenvolvimento cognitivo.
Petri Jalanko, pesquisador da Universidade de Jyväskylä, afirmou que o fator determinante provavelmente está em como as crianças usam esses dispositivos, não apenas no tempo gasto neles.
O trabalho integra o projeto finlandês PANIC, que avalia atividade física e nutrição em crianças.
Realizado em Kuopio, a pesquisa começou com 512 crianças entre 6 e 9 anos de idade e acompanhou o grupo durante oito anos, com reavaliações periódicas.
Na análise principal, 260 adolescentes com idade média de 15,8 anos completaram o estudo. Foram 136 homens e 124 mulheres.
Pais responderam questionários sobre tempo de tela e atividades quando as crianças tinham 8 e 10 anos; aos 16 anos, os próprios adolescentes preencheram esses formulários.
A atividade física e o comportamento sedentário também foram medidos por questionários e um dispositivo que combinava informações de frequência cardíaca e movimento.
Resultados dos testes cognitivos
Aos 16 anos, os adolescentes realizaram a bateria de testes CogState, que avalia velocidade de reação, atenção, memória de trabalho, capacidade de aprender associações e desempenho cognitivo geral.
Mais tempo de tela acumulado entre a infância e a adolescência associou-se a respostas mais rápidas em tarefas de memória de trabalho e melhor precisão em uma delas, além de melhor desempenho cognitivo geral.
O tipo de conteúdo consumido pode ajudar a explicar esses resultados, segundo os pesquisadores.
Atividades que exigem criatividade, resolução de problemas e outros tipos de engajamento mental parecem explicar essa associação positiva com a cognição.
Jalanko enfatiza que não se deve considerar o tempo diante das telas como prejudicial por si só, mas buscar equilíbrio entre atividade física e uso de dispositivos que estimule o pensamento ativo.
Pais e educadores podem incentivar crianças a usar dispositivos, mas de maneiras que promovam aprendizagem, resolução de problemas e criatividade, em vez de consumo passivo.
Contudo, é necessário evitar um tempo de tela muito alto, dormir com o aparelho e utiliza-lo antes de dormir, práticas que estudos já demonstraram que prejudicam o sono e o aprendizado escolar no dia seguinte.
O pesquisador reconhece que mais estudos de intervenção são necessários para esclarecer relações de causa e efeito e diferenças de resposta entre meninos e meninas.
O trabalho foi publicado em periódico científico e reforça que o conteúdo acessado pesa tanto quanto o tempo dedicado às telas.








