A organização de direitos humanos FairSquare pediu à Fifa que declare Gianni Infantino inelegível para disputar um novo mandato como presidente da entidade. Segundo o grupo, o dirigente já cumpriu o limite máximo de três mandatos previsto no estatuto da federação.
Infantino foi eleito pela primeira vez em fevereiro de 2016, em um Congresso Extraordinário convocado após a renúncia de Sepp Blatter. Em 2022, porém, a Fifa decidiu que esse primeiro período não deveria contar como mandato completo, já que teria apenas concluído um mandato que estava em andamento.
A interpretação abriu caminho para que Infantino pudesse buscar a reeleição além de 2027.
Carta questiona falta de transparência na decisão de 2022
Em carta enviada ao Comitê de Governança, Auditoria e Conformidade da Fifa, o GACC, e divulgada nesta segunda-feira (17) pelo The Athletic, a FairSquare argumenta que essa interpretação contraria o próprio estatuto da entidade.
O documento contou com a colaboração de Miguel Maduro, ex-chefe do Comitê de Governança e Revisão independente da Fifa.
“A denúncia que apresentamos fornece evidências claras de que se trata de uma violação evidente das regras e que abre um precedente muito perigoso”, disse à Reuters Nicholas McGeehan, diretor da FairSquare.
Segundo ele, a falta de justificativa pública para a decisão de 2022 é especialmente problemática, já que ela foi anunciada apenas dois dias antes da final da Copa do Mundo do Catar.
Pressão cresce entre confederações e federações nacionais
A Uefa, a Confederação Asiática de Futebol e a Concacaf pediu recentemente uma revisão da conduta de Infantino, após a Fifa propor a criação de uma subsidiária de US$ 20 bilhões, cerca de R$ 104,17 bilhões, ligada a competições como a Copa do Mundo, com o objetivo de atrair investimento privado.
Na mesma segunda-feira, a Federação Escocesa de Futebol confirmou, por meio do diretor-executivo Ian Maxwell, que também não vai apoiar a reeleição do dirigente.
Apesar da pressão crescente, Infantino ainda mantém o apoio das confederações africana e sul-americana. A definição sobre o assunto deve ocorrer no Congresso da Fifa marcado para 18 de março de 2027, no Marrocos, quando o dirigente suíço-italiano é esperado como candidato ao ciclo de 2027 a 2031.








