A 23ª rodada do Brasileirão, realizada neste final de semana, registrou um marco histórico no futebol brasileiro, sendo a primeira a valer o novo pacote de regras “anticera” implementado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o que fez a partida registrar um aumento no tempo efetivo de bola rolando.
A média de tempo de jogo saltou de 52min54s para 55min29s, um acréscimo de 2min35s que valida, em seu primeiro teste, a ofensiva da confederação contra a perda de tempo. O resultado posiciona o Campeonato Brasileiro na liderança isolada de tempo efetivo entre as grandes ligas, superando as médias da Premier League (55min23s) e da LaLiga (55min08s).
Protocolos em campo
A teoria foi posta em prática com rigor, o que gerou cenas inéditas neste final de semana. No clássico entre Fluminense e Palmeiras, o árbitro Anderson Daronco utilizou pela primeira vez o sinal de “X” com os braços acima da cabeça, nova regra para impedir que os jogadores se aglomerem ao redor do árbitro para reclamações.
No caso, a nova medida tem o objetivo de impedir a confusão gerada por “bolinhos” de jogadores que se aglomeram no árbitro para discutir problemas na partida. Quando o juiz dá o sinal, apenas os capitães do time poderão se aproximar para reclamações.
Outro destaque foi a aplicação do protocolo de atendimentos médicos, que afetou diretamente o astro Neymar. Durante o duelo entre Santos e Vitória, após o goleiro Gabriel Brazão receber assistência dentro de campo, o atacante santista foi obrigado a deixar o gramado e permanecer fora por um minuto antes de retornar.
O objetivo da nova medida é eliminar simulações e demoras propositais.
Polêmicas
Além das novas regras, o futebol brasileiro também implementou a chamada “Lei Vini Jr.“, que existe no futebol internacional desde abril deste ano e aplica punições a jogadores que cobrem a boca ao discutir com árbitros e outros atletas, medida para impedir ataques de racismo.
Essa mesma lei levou ao cartão vermelho de Arthur Cabral, do Vitória, ainda no primeiro fim de semana de vigência.
No entanto, apesar do sucesso da aplicação das novas regras, especialistas e ex-árbitros apontaram uma falta de uniformidade na aplicação dos critérios entre as diferentes partidas. Enquanto jogos como Athletico-PR x Red Bull Bragantino atingiram 60min18s de bola rolando, outros, como Vasco x Santos, patinaram em 49min20s.
O ex-árbitro Arnaldo Ribeiro classificou a implementação como “apressada”, alertando que a ausência de um padrão claro pode gerar insegurança jurídica e técnica nas rodadas seguintes.
O que muda com as novas regras?
Para garantir a fluidez, a CBF estabeleceu cronometragem rígida para interrupções comuns. Goleiros agora têm apenas oito segundos para repor a bola sob pena de conceder escanteio ao adversário.
Cobranças de lateral e tiro de meta foram reduzidas para cinco segundos, e jogadores substituídos devem deixar o campo em até dez segundos.
Apesar dos desafios de adaptação, o diretor de Arbitragem da CBF, Netto Góes, celebrou o “balanço muito positivo”, enfatizando que o aumento do tempo de jogo entrega um produto mais dinâmico ao torcedor.








