Em meio ao debate sobre problemas de privacidade causados pelos óculos inteligentes da Meta, diversos estabelecimentos como restaurantes e pubs do Reino Unido já se adiantaram na frente de qualquer legislação e já estão banindo o dispositivo de suas dependências.
De acordo com representantes desses estabelecimentos, as medidas respondem a crescentes casos de usuários dos óculos serem flagrados gravando outras pessoas sem o consentimento delas.
Pubs e restaurantes lideram investida
A rede de pubs Wetherspoons, com mais de 800 unidades, proibiu explicitamente o uso dos óculos, classificando a gravação oculta como violação de seu código de conduta. Teatros do grupo ATG e clubes privados como o Soho House seguiram o exemplo, exigindo a remoção dos dispositivos durante espetáculos e eventos sociais.
Restauradores de prestígio em Londres, incluindo Jeremy King, dono de estabelecimentos como o Simpsons in the Strand, também reforçaram a nova restrição: “Nós nunca permitiremos qualquer invasão de privacidade dos hóspedes que não seja com os olhos com os quais nascemos”, escreveram em nota.
Além dos pubs, restaurantes e teatros, os tribunais também estão aderindo ao movimento, como o Serviço de Tribunais e Tribunais de Sua Majestade (HMCTS), que determinou que todos os óculos inteligentes da Meta sejam confiscados na entrada de edifícios judiciais na Inglaterra e no País de Gales.
Diferente dos smartphones, que permanecem permitidos desde que não estejam gravando, os óculos não recebem exceções devido à facilidade de gravação discreta.
Escândalo de privacidade
Essa reação ocorre em meio a um escândalo de privacidade que abalou a confiança no dispositivo. Investigações revelaram que trabalhadores terceirizados no Quênia, contratados pela empresa Sama para treinar a inteligência artificial da Meta, tiveram acesso a vídeos íntimos capturados pelos óculos, incluindo momentos de nudez.
O Escritório do Comissário de Informação (ICO) do Reino Unido abriu uma investigação formal sobre o caso. Embora a Meta tenha encerrado o contrato com a empresa queniana em maio, o dano à reputação do produto já estava feito, inclusive, a imprensa britânica passou a apelidar o dispositivo de “óculos de pervertido”.








