Uma semana depois de visitar a República Democrática do Congo para acompanhar de perto a resposta à epidemia de ebola, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que o surto já soma cerca de 4,4 mil casos e mais de 2 mil mortes, e reconheceu que a doença avança mais rápido do que a capacidade de resposta das autoridades. “O surto está muito à nossa frente”, disse Tedros, em declaração à imprensa após a viagem.
A atual epidemia de ebola na República Democrática do Congo (RDC) dura aproximadamente 6 meses, o surto foi oficialmente declarado em 15 de maio de 2026
Segundo o dirigente, o dado mais preocupante não é apenas o volume de casos, mas o número elevado de mortes registradas fora de centros de tratamento, em áreas onde nenhum contato havia sido identificado anteriormente.
Para Tedros, isso comprova a existência de cadeias de transmissão ainda desconhecidas, capazes de manter o surto ativo até que sejam localizadas e interrompidas pelas equipes de resposta no terreno.
Rastreamento de contatos ainda está abaixo da meta
A taxa atual de rastreamento de contatos está em 80%, patamar considerado insuficiente pela OMS, que estabelece 95% como o mínimo necessário para conseguir interromper a transmissão da doença.
Estudos de sequenciamento genético sugerem, inclusive, que o surto pode ter começado até três meses antes de ser oficialmente anunciado, com casos iniciais possivelmente confundidos com malária ou febre tifoide, o que atrasou a resposta.
Epidemia pode superar recorde histórico
Declarada em 15 de maio, na província de Ituri, fronteira com Sudão do Sul e Uganda, a epidemia atual ainda é menor do que a maior já registrada, ocorrida na África Ocidental entre 2014 e 2016, com cerca de 28 mil infectados e 11 mil mortos, principalmente na Guiné, em Serra Leoa e na Libéria.
Se o ritmo atual de propagação continuar, porém, a OMS admite que o surto no Congo pode ultrapassar esse recorde histórico de mortes.








