O presidente da FIFA, Gianni Infantino, recebeu um respaldo público nesta semana em meio à crise institucional que levou três das seis confederações continentais a exigirem sua renúncia. O apoio veio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que classificou como um “erro terrível” a tentativa de substituir o dirigente.
A intervenção de Trump ocorre menos de 24 horas após a divulgação de uma carta aberta conjunta da UEFA (Europa), Concacaf (América do Norte, Central e Caribe) e AFC (Ásia), que descreve a gestão recente de Infantino como uma “violação fundamental da confiança”.
Intervenção de Trump
Em publicação em sua rede social, Truth Social, Donald Trump alertou a entidade máxima do futebol sobre as consequências de uma mudança de liderança. “A Fifa cometeria um erro terrível se, por qualquer motivo, contemplasse, ainda que fosse por um instante, substituir seu presidente, Gianni Infantino”, escreveu o mandatário americano.
Trump atribuiu a Infantino a organização da “Copa do Mundo mais bem-sucedida de todos os tempos”, afirmando que o torneio de 2026 foi “quatro vezes mais bem-sucedido” que as edições anteriores. O presidente dos EUA argumentou que, sem a liderança atual, a competição “nunca mais terá tanto sucesso ou rentabilidade”.
A aliança entre os dois líderes fortaleceu-se nos últimos meses, culminando com a entrega do Prêmio da Paz da FIFA a Trump em dezembro de 2025 e a realização de eventos da Copa em Washington.
A revolta das confederações
Em documento divulgado em 10 de agosto, os presidentes Aleksander Ceferin (UEFA), Xeque Salman bin Ibrahim Al Khalifa (AFC) e Victor Montagliani (Concacaf) condenaram a proposta de criar uma subsidiária avaliada em US$ 20 bilhões para vender 20% de seus direitos comerciais.
No caso, as confederações criticam a iniciativa fracassada do FIFA Forward Enterprise (FFE), que incluía a venda das ações da FIFA para investidores privados, como o fundo Thrive Eternal, de Joshua Krushner, irmão do genro de Donald Trump.
As confederações rejeitaram a justificativa da FIFA de que houve apenas uma “falha de comunicação”, classificando o episódio como uma “falha de julgamento” grave. Além disso, a iniciativa foi vista como uma tentativa de privatização do futebol mundial.
O texto da carta enfatiza que “o futebol não pertence a nenhum indivíduo” e que a liderança é um “dever de serviço”. As entidades deixaram claro que não aceitam a administração atual da FIFA conduzindo a investigação sobre o caso e exigem terceiros imparciais.
O que acontece agora?
O cenário atual é de uma “guerra civil” no futebol mundial. Enquanto a UEFA e seus aliados discutem até mesmo a criação de competições alternativas fora da órbita da FIFA, Infantino tenta usar seu apoio nas Américas do Sul e na África para sobreviver politicamente até as próximas eleições, marcadas para março de 2027.








