As confederações UEFA (Europa), AFC (Ásia) e Concacaf (América do Norte, Central e Caribe) divulgaram ontem (10) uma nota conjunta exigindo a renúncia imediata de Gianni Infantino da presidência da FIFA.
O documento, classificado por analistas como um “ultimato”, marca o ápice de uma crise de governança deflagrada há duas semanas pelo controverso plano de privatização parcial da entidade.
Ruptura com Infantino
Na carta oficial, as três entidades, que representam a maioria das nações futebolísticas economicamente relevantes, afirmam categoricamente que a atual liderança cometeu uma “violação fundamental da confiança”.
Um dos destaques do texto é que as confederações definem o papel da presidência: “A liderança no futebol não é uma posse. É um dever de serviço à família do futebol.
Segundo o documento, a gestão de Infantino falhou em seus deveres fiduciários, operando com um padrão de “silêncio onde deveria haver prestação de contas e distância onde deveria haver abertura.”
As confederações enfatizam que a disputa “não é sobre dinheiro, mas sobre a integridade do jogo”, rejeitando a narrativa de que a crise se resume a divergências financeiras.
O que causou isso
A ruptura definitiva ocorreu após a revelação, em julho, do projeto FIFA Forward Enterprise (FFE). A proposta visava criar uma subsidiária avaliada em US$ 20 bilhões para gerir os direitos comerciais da FIFA, incluindo a venda de até 21% de suas ações para investidores privados, entre eles o fundo Thrive Eternal.
Embora o plano oferecesse um aumento significativo nos repasses às federações nacionais, a UEFA liderou uma rebelião, argumentando que a medida equivalia a “vender a Copa do Mundo“.
Após a ameaça de boicote às competições da FIFA por parte das 55 nações europeias, Infantino anunciou a suspensão do projeto em 1º de agosto. Contudo, para o bloco oposicionista, o dano à credibilidade da instituição já estava feito, tornando a permanência do presidente insustentável.
Fragmentação no futebol
Analistas apontam que a crise causou uma fragmentação nas confederações e no futebol internacional. Enquanto o bloco liderado pela Europa e pela Ásia tenta forçar uma mudança de comando, as confederações CONMEBOL (América do Sul) e CAF (África) blindaram Infantino.
Em nota própria, a CONMEBOL declarou que não apoiará qualquer mecanismo de destituição que fuja aos ritos estatutários ordinários, efetivamente bloqueando a convocação de um congresso extraordinário imediato. A CAF, por sua vez, reafirmou seu “apoio unânime” ao presidente, ignorando as pressões externas.
Próximos capítulos
Com a recusa em renunciar, o cenário aponta para um prolongamento do impasse até as próximas eleições presidenciais, previstas para março de 2027. A UEFA, no entanto, mantém as presas à mostra para a FIFA: a ameaça de boicote às Copas do Mundo e outras competições da FIFA permanece na mesa como ferramenta de pressão máxima.
Devido a isso, analistas especulam que facções oposicionistas já articulem nomes fortes para desafiar Infantino nas urnas, com o nome de Victor Montagliani, atual presidente da Concacaf, ganhando força nos bastidores.







