A Uber apontou o Brasil como o principal fator por trás da desaceleração no ritmo de crescimento de suas viagens globais no segundo trimestre de 2026. Apesar do aumento absoluto no número de corridas, o desempenho ficou abaixo das expectativas de analistas, pressionado pela ofensiva de concorrentes chinesas.
Apesar das reclamações, em entrevista coletiva nesta semana, o CEO global da empresa, Dara Khosrowshahi, descartou qualquer possibilidade de saída do território nacional, reafirmando o compromisso da companhia com o que classificou como seu “lar permanente”.
Impacto brasileiro nos resultados
A gigante de mobilidade reportou um crescimento de 18% no número total de viagens no segundo trimestre, atingindo a marca de 3,87 bilhões. O resultado ficou ligeiramente abaixo da estimativa média do mercado, que projetava 3,9 bilhões de viagens.
Segundo a direção da Uber, a moderação no crescimento foi “inteiramente atribuída ao Brasil”, mesmo sendo este o maior mercado da empresa em volume de corridas no mundo, superando os Estados Unidos.
Ao justificar, a empresa apontou que a queda no desempenho seria causada por dois fatores principais. O primeiro deles é a entrada e expansão de players chineses, especificamente a 99 no setor de mobilidade e a Keeta no setor de entregas, o que intensificou a disputa por motoristas e entregadores.
Khosrowshahi destacou que a guerra por entregadores de duas rodas elevou os custos de oferta e desviou recursos da mobilidade.
O segundo motivo seria o cenário cambial. A valorização do dólar em relação ao real pesou sobre os resultados reportados, reduzindo o crescimento das reservas brutas em aproximadamente um ponto percentual.
Ofensiva chinesa
Analistas destacam que o mercado brasileiro vive um momento inédito de competição acirrada. Enquanto a Uber mantém a liderança com cerca de 65% de market share em mobilidade, a 99 tem ganhado tração com taxas de comissão menores e funcionalidades de negociação de preço.
No segmento de entregas, a chegada da Keeta, braço do Meituan, desestabilizou o equilíbrio ao oferecer subsídios agressivos. Embora a Uber não opere delivery de restaurantes no Brasil, a disputa por entregadores impacta indiretamente a disponibilidade de motoristas para as corridas, encarecendo a operação.
“Estamos vendo uma quantidade enorme de competição no setor de alimentos… há muito investimento indo para lá, e isso afeta os volumes de viagens”, explicou Khosrowshahi durante a conferência de resultados.








