Um levantamento do Instituto de Estudos Previdenciários (IEPREV), com base em dados oficiais do INSS, mostra que as concessões de auxílio por incapacidade temporária ligadas à ludopatia, classificada como transtorno do controle de impulsos, cresceram mais de 2.300% entre junho de 2023 e abril de 2025.
No período, foram 276 benefícios concedidos, contra uma média histórica de apenas 11 por ano entre 2015 e 2022.
Perfil dos beneficiários preocupa especialistas
Segundo o levantamento, 73% dos beneficiários são homens e 80% têm entre 18 e 39 anos, faixa etária de maior produtividade no mercado de trabalho. Outros 7% declararam ter dependentes, o que amplia o impacto social do problema para além do próprio segurado.
Especialistas atribuem o avanço da ludopatia ao formato viciante dos jogos, ao marketing agressivo das apostas e à facilidade de acesso pelo celular, fatores que atingem especialmente jovens e trabalhadores de baixa renda, público que hoje concentra a maior parte dos casos identificados pelo estudo.
Problema também chega ao SUS e à Justiça
O Sistema Único de Saúde registrou o mesmo movimento: os atendimentos por ludopatia saltaram de 65, em 2019, para 1.292 em 2024.
Na Justiça do Trabalho, crescem os processos sobre demissões por justa causa motivadas pelo uso de plataformas de apostas durante o expediente, decisões que os tribunais têm mantido, ainda que sob críticas de parte da doutrina trabalhista.
Em junho de 2025, o governo elevou a tributação das casas de apostas de 12% para 18% por meio de medida provisória, mas ainda não definiu uma destinação específica da arrecadação para prevenção ou tratamento do problema.
Enquanto isso, a judicialização do tema segue em aberto: um ex-gerente bancário teve o benefício renovado na Justiça e tenta reverter sua demissão por justa causa, e um servidor público que desviou R$ 1,5 milhão para apostar também obteve auxílio-doença e move ação contra o Estado, casos que expõem lacunas do sistema previdenciário para lidar com o transtorno.








