A crise entre a FIFA e o futebol europeu ganhou um novo capítulo. Dirigentes do continente avaliam boicotar a Copa do Mundo de Clubes de 2029 caso Gianni Infantino continue à frente da entidade máxima do futebol mundial.
A movimentação surge dias depois do fracasso do plano do dirigente de vender uma fatia dos direitos comerciais da Copa do Mundo a investidores privados através do plano da FIFA Forward Enterprise (FFE).
UEFA no volante
Segundo a emissora britânica talkSPORT, o articulador principal do boicote é Aleksander Ceferin, presidente da UEFA. Ele conta com o apoio de Nasser Al-Khelaifi, presidente do Paris Saint-Germain (PSG) e também da Associação Europeia de Clubes (EFC).
Para que a sabotagem realmente aconteça, porém, Ceferin precisa convencer os mais de 850 clubes filiados à EFC a aderirem à causa. O dirigente esloveno já demonstrou publicamente sua rejeição ao formato desde a criação do torneio, em 2018, e agora vê na indefinição sobre a edição de 2029 uma brecha para reforçar a pressão contra Infantino.
Argumentos dos europeus
Um dos principais argumentos usados pelos europeus é a ausência de planejamento básico para o próximo Mundial de Clubes. Até agora, a FIFA não definiu onde o torneio será disputado nem apresentou um modelo de financiamento consolidado.
Além disso, as entidades europeias afirmam que a FIFA segue devendo cerca de US$ 250 milhões, o equivalente a mais de R$ 1,2 bilhão, em pagamentos de solidariedade destinados aos clubes que não disputaram a edição de 2025.
Esse valor deveria compensar o desequilíbrio criado pela distribuição de US$ 1 bilhão em premiações às equipes participantes do primeiro torneio, vencido pelo Chelsea, mas os times de fora da disputa ainda aguardam receber sua parte.
Encontro decisivo
Ceferin e Al-Khelaifi devem se reunir pessoalmente no dia 12 de agosto, durante a final da Supercopa da UEFA entre PSG e Aston Villa, em Salzburgo. O encontro deve ser decisivo para definir se o presidente do PSG topa embarcar oficialmente na articulação contra Infantino.
A adesão de Al-Khelaifi é vista como determinante, já que o dirigente catari teve papel central na organização da edição inaugural do torneio ao lado dos clubes europeus. Sem o apoio dele, a força do movimento perderia peso dentro da própria EFC.
Além do boicote ao torneio de clubes, federações europeias já discutem formas de acelerar a saída de Infantino da presidência, com o nome do dirigente da Concacaf, Victor Montagliani, despontando como possível alternativa ao comando da entidade nas eleições de 2027.
Antes de Montagliani, o próprio Al-Khelaifi era cotado pelos europeus como substituto de Infantino, mas o presidente do PSG declarou não ter interesse no cargo.








